A defesa de Felipe Cançado Vorcaro, primo do empresário Daniel Vorcaro, protocolou nesta segunda-feira (22) um pedido de revogação da prisão preventiva no Supremo Tribunal Federal (STF), contestando a acusação de que ele teria fugido de sua casa em Trancoso, no sul da Bahia, em um carrinho de golfe durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura o suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro envolvendo o Banco Master. A defesa afirma que a Polícia Federal confundiu o empresário com seu sogro ao analisar imagens de segurança, e apresentou um laudo técnico que contradiz a conclusão dos peritos da PF.

A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, investiga um suposto esquema de emissão de títulos de crédito sem lastro e promessa de rentabilidade fora dos padrões de mercado, que pode ter movimentado bilhões de reais. A segunda fase da operação, ocorrida em 14 de janeiro, mirou alvos ligados a Daniel Vorcaro, incluindo seu primo Felipe, apontado pelos investigadores como um dos principais operadores financeiros do grupo.

Segundo a PF, o sistema de segurança da residência registrou, por volta das 5h40 da manhã, um homem com roupas semelhantes às de Felipe Vorcaro embarcando em um carrinho de golfe e deixando o local, minutos antes da chegada dos agentes. Peritos da PF afirmaram que as imagens, embora parcialmente encobertas por vegetação, são compatíveis com a identificação do empresário, caracterizando o que a corporação chamou de “verdadeira evasão probatória”.

Laudo técnico contesta conclusão da PF

Em resposta, os advogados de Felipe Vorcaro apresentaram ao STF um laudo técnico elaborado por peritos especializados em comparação morfológica facial, conduzido segundo os parâmetros do protocolo FISWG/E3149. O documento conclui que “os achados morfológicos contradizem a hipótese de que qualquer dos dois indivíduos registrados nas imagens corresponda a Felipe Cançado Vorcaro”. A defesa sustenta que o homem no carrinho era, na verdade, o sogro do empresário, que retornou ao local pouco depois, acompanhado de outro hóspede.

“A conclusão do relatório policial — de que teria havido ‘verdadeira evasão probatória’ — decorre, portanto, de um erro de identificação, e não de qualquer conduta do investigado”, afirmam os advogados. Eles reforçam que “Felipe Cançado Vorcaro não estava no carrinho. Não recebeu informação privilegiada sobre o cumprimento da diligência. Não praticou qualquer ato destinado a frustrá-la”.

Inconsistências financeiras e pedido de liberdade

Além da contestação sobre a fuga, a defesa aponta inconsistências e equívocos nos dados sobre a movimentação financeira atribuída a Felipe Vorcaro. Os advogados argumentam que as operações em questão “não se apresentam, diante dos elementos hoje disponíveis, como atividades pertencentes ao universo negocial de Daniel Vorcaro, mas como atos de gestão e financiamento relacionados a estrutura empresarial autônoma e preexistente”. A PF, por outro lado, afirma que Felipe é um dos principais operadores financeiros de Daniel Vorcaro.

Diante disso, os advogados pedem a revogação da prisão preventiva ou a substituição por outras restrições, como o uso de tornozeleira eletrônica ou a proibição de contato com outros investigados. O pedido foi protocolado nesta segunda-feira (22) e caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, decidir sobre a medida.

O caso ganhou repercussão nacional após a primeira fase da Operação Compliance Zero, em 2024, quando Daniel Vorcaro foi preso temporariamente. A investigação, que já dura mais de um ano, expõe um suposto esquema de fraudes que teria movimentado bilhões de reais, com a emissão de títulos de crédito sem lastro e promessas de rentabilidade acima do mercado, afetando investidores e instituições financeiras. A defesa de Felipe Vorcaro, ao contestar as acusações, busca não apenas a liberdade do empresário, mas também questionar a solidez das provas apresentadas pela PF em um caso que envolve figuras de destaque no sistema financeiro brasileiro.

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