Justiça condena influenciador Nego Di e esposa por rifas virtuais fraudulentas e falsa doação de R$ 1 milhão

O influenciador digital Nego Di e sua esposa, cujo nome não foi divulgado, foram condenados à prisão nesta terça-feira (23) por uma série de crimes financeiros e digitais, incluindo estelionato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e promoção de loteria ilegal. A decisão judicial, que detalha as infrações cometidas pelo casal, expõe um esquema de rifas virtuais fraudulentas e uma falsa doação de R$ 1 milhão, que lesou centenas de seguidores e gerou prejuízo estimado em mais de R$ 2 milhões. O caso, que ganhou repercussão nacional, levanta questões sobre a regulação de sorteios online e a responsabilidade de influenciadores digitais.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Nego Di e sua esposa utilizavam perfis em redes sociais para promover rifas virtuais de alto valor, como carros de luxo e imóveis, sem autorização legal. As rifas eram anunciadas como legítimas, mas, na prática, os prêmios nunca eram entregues. A investigação revelou que o casal também falsificou documentos para simular uma doação de R$ 1 milhão a uma instituição de caridade, o que nunca ocorreu. A falsa doação foi usada para atrair mais participantes e aumentar a credibilidade do esquema.

Crimes comprovados e penas aplicadas

A sentença, proferida pela 3ª Vara Criminal de São Paulo, condenou Nego Di a 12 anos de prisão por estelionato qualificado e lavagem de dinheiro, enquanto sua esposa recebeu pena de 8 anos por participação direta nos crimes. Além disso, ambos foram condenados por uso de documento falso e promoção de loteria ilegal, com multas que somam R$ 500 mil. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e contas bancárias do casal para reparação dos danos às vítimas.

O esquema, que operou entre 2022 e 2024, movimentou cerca de R$ 5 milhões, segundo a Polícia Federal. As rifas eram vendidas por valores entre R$ 10 e R$ 500, com promessas de prêmios como uma BMW X6 e uma casa na praia. A investigação identificou mais de 1.200 vítimas em todo o Brasil, muitas das quais relataram ter perdido economias. A falsa doação de R$ 1 milhão, anunciada em uma live em 2023, foi um dos pontos centrais da acusação, pois o casal nunca apresentou comprovantes de transferência.

Panorama político e regulatório

O caso de Nego Di ocorre em um momento de intenso debate sobre a regulação de rifas virtuais e a atuação de influenciadores digitais no Brasil. Em 2024, o Congresso Nacional aprovou a Lei 14.789, que exige autorização da Caixa Econômica Federal para sorteios online, mas a fiscalização ainda é considerada frágil. Especialistas apontam que a falta de punições exemplares incentiva novos golpes. A condenação do casal é vista como um marco, mas organizações de defesa do consumidor cobram medidas mais rigorosas, como a criação de um cadastro nacional de rifas legais e a responsabilização solidária das plataformas de redes sociais.

A decisão judicial também reacende o debate sobre a lavagem de dinheiro em esquemas digitais. O casal utilizava contas de terceiros e criptomoedas para ocultar os valores arrecadados, o que dificultou o rastreamento. A Polícia Federal estima que apenas 30% dos recursos foram recuperados. O caso deve servir de precedente para outras investigações em andamento contra influenciadores que promovem rifas sem autorização.

A defesa de Nego Di anunciou que recorrerá da sentença, alegando falta de provas e cerceamento de defesa. Enquanto isso, o casal permanece preso preventivamente, aguardando julgamento de recurso. O Ministério Público, por sua vez, comemorou a condenação como uma vitória contra a impunidade digital e prometeu intensificar o combate a crimes financeiros online.

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