O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, devem se reunir na tarde desta quarta-feira (24) no Palácio da Alvorada para discutir o futuro do parlamentar após a operação da Polícia Federal que o teve como alvo na semana passada. O encontro, aguardado para ‘selar’ o destino de Wagner, ocorre em meio a pressões de aliados e ministros que defendem sua saída imediata da liderança, enquanto outros apontam riscos políticos e eleitorais, especialmente na Bahia, quarto maior eleitorado do país.
Segundo informações da colunista Andréia Sadi, do G1, a reunião terá três possibilidades de desfecho. A primeira é a saída imediata de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado, defendida por auxiliares do presidente Lula, incluindo ministros, que veem a medida como forma de preservar a imagem do governo diante das investigações. A segunda possibilidade é a permanência indefinida no cargo, defendida por aliados do senador baiano, que temem que a saída imediata seja interpretada como um ‘carimbo de culpa’. A terceira via seria a permanência até julho, quando começa o recesso parlamentar, permitindo que Wagner, candidato à reeleição ao Senado, justifique a saída como necessidade de dedicação integral à campanha.
Relação histórica e palanque baiano pesam na balança
A relação pessoal entre Lula e Jaques Wagner, que são amigos há cinco décadas, é um fator central na decisão. Em 2018, Wagner foi cotado para ser candidato à presidência pelo PT, em vez de Fernando Haddad. O senador tem dito ser injustiçado pela Polícia Federal, argumentando que a PF cometeu erros no relatório da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da qual foi alvo, e que não houve nenhum ato de ofício seu para beneficiar o Banco Master. A investigação, que apura supostos repasses e benefícios, incluiu buscas em imóveis de luxo e análise de viagens e ingressos.
O palanque baiano também pesa na decisão do presidente Lula. A Bahia é o quarto maior eleitorado do país e um estado onde o PT tem desempenho importante. Na próxima semana, Lula viaja ao estado para as festas de 2 de julho, data que celebra a independência da Bahia e do Brasil, e que tradicionalmente conta com a presença do presidente. A ideia é que ele esteja ao lado de Jaques Wagner, do ministro da Casa Civil Rui Costa e do governador Jerônimo Rodrigues, mas isso dependerá do desfecho da reunião. Além disso, há preocupação no PT com a possibilidade de novas revelações não só sobre Wagner em relação ao Banco Master, mas de outras figuras do partido no estado.
A crise na liderança do governo no Senado ocorre em um contexto de tensão na base aliada, com o PT correndo para conter rachas com o PSB após falas de ministros sobre palanques duplos em Pernambuco, e com o vácuo de liderança na extrema direita alagoana após a saída de JHC do PL. A decisão de Lula sobre Jaques Wagner pode ter impactos diretos na articulação política do governo no Congresso e na estratégia eleitoral para 2026.
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