Em um pronunciamento transmitido na noite deste sábado (26), a candidata Keiko Fujimori declarou-se vencedora das eleições presidenciais peruanas, afirmando que sua vantagem sobre o adversário Roberto Sánchez é considerada irreversível. Em tom de conciliação, Fujimori prometeu trabalhar para reunificar o país, profundamente dividido após uma campanha marcada por polarização e tensões sociais. A candidata do partido Fuerza Popular destacou que suas prioridades de governo serão o combate ao crime organizado e a redução das desigualdades econômicas, temas que dominaram o debate eleitoral nos últimos meses.
O discurso de Fujimori foi feito em meio a uma apuração que ainda não havia sido oficialmente encerrada pela autoridade eleitoral peruana, mas que já apontava uma diferença superior a cinco pontos percentuais entre os dois candidatos. Segundo dados parciais divulgados pela Oficina Nacional de Procesos Electorales (ONPE), com mais de 95% das urnas apuradas, Fujimori somava 52,3% dos votos válidos, contra 47,7% de Sánchez. A vantagem foi considerada irreversível por analistas políticos locais, que apontam a dificuldade de reverter o quadro com as seções restantes concentradas em regiões historicamente favoráveis à candidata de direita.
Promessas de unidade e desafios imediatos
Em seu pronunciamento, Keiko Fujimori afirmou que seu governo será marcado pelo diálogo e pela busca de consensos. “Não governarei para um lado ou para outro, governarei para todos os peruanos”, declarou, em uma tentativa clara de acenar aos eleitores de Sánchez, que representam quase metade do eleitorado. A candidata também prometeu formar um gabinete de coalizão, incluindo figuras de diferentes espectros políticos, para enfrentar os graves problemas do país, como a inflação elevada, o desemprego e a crescente violência ligada ao narcotráfico.
O combate ao crime foi um dos pilares da campanha de Fujimori, que prometeu endurecer as penas para crimes violentos e ampliar o efetivo policial nas ruas. Já a redução das desigualdades, segundo ela, será atacada por meio de programas sociais focados em educação e saúde nas regiões mais pobres, como a serra e a selva peruana. No entanto, especialistas alertam que as promessas esbarram em um orçamento público apertado e em uma dívida externa que ultrapassa os 35 bilhões de dólares, segundo dados do Banco Central de Reserva do Peru.
Reações da oposição e cenário político
Até o momento, a campanha de Roberto Sánchez não reconheceu oficialmente a derrota. Em nota divulgada nas redes sociais, a equipe do candidato de esquerda afirmou que aguardará a apuração completa dos votos antes de qualquer pronunciamento. A postura cautelosa reflete o temor de que a eleição possa ser contestada judicialmente, como ocorreu em pleitos anteriores no país. Em 2021, Fujimori chegou a denunciar fraudes após perder para Pedro Castillo, o que gerou uma crise institucional que durou meses.
O cenário político peruano segue volátil, com o Congresso Nacional dividido entre as forças de direita e esquerda. Fujimori terá pela frente a tarefa de negociar com uma oposição fragmentada, mas que ainda detém assentos suficientes para travar pautas importantes. Além disso, a candidata enfrenta o desafio de reconstruir a confiança da população, abalada por sucessivos escândalos de corrupção que atingiram seu partido e sua família. O ex-presidente Alberto Fujimori, pai de Keiko, cumpre prisão domiciliar por crimes contra os direitos humanos, o que continua a ser um ponto de controvérsia na política local.
Impacto internacional e expectativas
A vitória de Fujimori foi recebida com cautela por governos estrangeiros. Os Estados Unidos, por meio de um comunicado do Departamento de Estado, parabenizaram o povo peruano pela realização do pleito e afirmaram esperar trabalhar com o novo governo. Já a União Europeia destacou a importância de respeitar o resultado das urnas e de garantir a estabilidade democrática no país. No âmbito regional, a vitória de Fujimori representa um reforço da onda conservadora na América Latina, que já conta com governos de direita em países como Argentina, Chile e Equador.
Para os próximos dias, a expectativa é que a ONPE oficialize o resultado final e que a transição de governo seja iniciada. Keiko Fujimori já anunciou que pretende tomar posse no dia 28 de julho, data tradicional da independência peruana, em uma cerimônia que deverá contar com a presença de líderes regionais. O país, no entanto, permanece atento aos desdobramentos, especialmente diante da possibilidade de protestos organizados por grupos de esquerda que já questionam a lisura do processo eleitoral.
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