Uma previsão inusitada que prometia uma invasão alienígena e a abdução do jogador Neymar durante a partida da seleção brasileira contra a Escócia não se concretizou, gerando uma enxurrada de cobranças e memes nas redes sociais. A vidente conhecida como Vó Bahiana, que viralizou ao afirmar que o camisa 10 seria levado por extraterrestres, tornou-se alvo de piadas e críticas após o Brasil vencer o jogo sem qualquer interferência de seres de outros planetas. O episódio, embora aparentemente bizarro, reflete um fenômeno mais amplo de desinformação e espetacularização de previsões, que ganha força em momentos de grande audiência, como partidas de futebol.
A previsão de Vó Bahiana foi amplamente compartilhada em plataformas como Twitter, Instagram e TikTok nos dias que antecederam o confronto. Em um vídeo que acumulou milhões de visualizações, a vidente afirmou que extraterrestres estariam planejando uma invasão durante o jogo, com o objetivo específico de abduzir Neymar. A declaração gerou debates acalorados entre céticos e crédulos, com muitos internautas alertando sobre os riscos de se levar a sério tais afirmações. Após a vitória do Brasil por 2 a 0, com Neymar em campo durante toda a partida, a hashtag #CobraVóBahiana tornou-se um dos assuntos mais comentados do dia.
Contexto político e social da desinformação
O caso de Vó Bahiana não é isolado. Especialistas em comunicação política apontam que a proliferação de previsões absurdas, muitas vezes com viés sensacionalista, tem sido usada para desviar a atenção de temas relevantes, como as recentes discussões sobre o orçamento da saúde e a reforma tributária no Congresso. Em um cenário de polarização, a viralização de conteúdos como esse pode minar a confiança do público em fontes confiáveis de informação. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) já emitiu notas alertando para o risco de que tais narrativas sejam instrumentalizadas para fins políticos, especialmente em ano eleitoral.
Enquanto isso, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas fontes internas indicam que a entidade está preocupada com o impacto de fake news no esporte. O técnico da seleção, Fernando Diniz, em entrevista coletiva, preferiu não comentar o assunto, focando na atuação do time. Já Neymar, em suas redes sociais, publicou um story com um emoji de alienígena e a frase: “Ainda bem que fiquei aqui”. A brincadeira gerou ainda mais engajamento, com fãs criando montagens e vídeos satirizando a vidente.
Impacto nas redes e na credibilidade de videntes
A cobrança a Vó Bahiana também reacendeu o debate sobre a responsabilidade de influenciadores e videntes que fazem previsões sem qualquer base científica. O Conselho Federal de Psicologia já havia se manifestado contra a exploração da fé alheia para ganhos financeiros, mas até o momento não há regulamentação específica para o caso. A vidente, que não se manifestou desde o ocorrido, viu seu perfil ser inundado por comentários irônicos e pedidos de explicação. Especialistas em direito digital alertam que, dependendo do teor das previsões, pode haver implicações legais, como incitação ao pânico ou danos morais.
O episódio, no entanto, também serve como um alerta para a necessidade de educação midiática. Em um país onde 62% da população acredita em fake news, segundo pesquisa do Instituto DataSenado, casos como o de Vó Bahiana mostram como a desinformação pode se espalhar rapidamente, aproveitando-se de momentos de grande emoção coletiva, como uma partida de futebol. A Agência Lupa, referência em checagem de fatos, já incluiu o caso em seu banco de dados como exemplo de desinformação viral.
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