O senador Flávio Bolsonaro (PL) publicou em suas redes sociais, nesta quarta-feira (24), um pedido de desculpas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, após ela divulgar vídeos em que o acusa de maltratá-la e humilhá-la. Na postagem, Flávio afirma que Michelle gravou os vídeos depois de não retornar uma mensagem sua, diz estar de “coração aberto” e nega ter tido a intenção de ofendê-la. A crise expõe um racha na cúpula do bolsonarismo, com Michelle se apresentando como a herdeira mais leal a Jair Bolsonaro e Flávio tentando manter o controle político do grupo, em meio a disputas por palanques e alianças para as eleições de 2026.
“Em nenhum momento ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas. Tenho por ela respeito e reconhecimento pelo trabalho no PL Mulher, pelo cuidado com meu pai e por tudo o que representa para o Brasil”, escreveu Flávio em suas redes sociais. A declaração ocorre um dia após Michelle publicar dois vídeos em que relata ter sido “maltratada” e “humilhada” por ele, além de afirmar que não se falam desde o fim de 2025. A briga teria origem em desavenças sobre acordos políticos para a eleição de 2026, especialmente no Ceará, onde o PL tentou se aliar ao ex-governador Ciro Gomes (PSDB), aliança criticada por Michelle.
Em sua defesa, Flávio citou o casamento de 16 anos e o fato de ser pai de duas filhas para afirmar que “nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”. Ele também disse que a família Bolsonaro “está passando por um momento difícil” e que entende a angústia de Michelle ao ver Jair “todos os dias, sofrendo com tamanha injustiça”. O senador afirmou que agendou uma reunião com lideranças femininas para a próxima quarta-feira (1º), em Brasília, e que ligou para Michelle pela manhã para convidá-la pessoalmente, mas ela não atendeu e não retornou a mensagem. “Para minha surpresa, na tarde de hoje ela publicou o vídeo”, disse Flávio, que manteve o convite “de coração aberto”.
A crise expõe um racha no bolsonarismo que vai além das relações familiares. Aliados de Flávio veem Michelle em campanha pelo comando do movimento, enquanto analistas apontam que ela se apresenta como a “Bolsonaro mais leal” a Jair, detonando o filho mais velho. A briga também envolve a disputa pelo palanque do PL no Ceará e a tentativa de Flávio de manter o controle político do grupo, enquanto Michelle busca consolidar sua própria base de apoio, especialmente entre o eleitorado feminino e evangélico. Segundo Flávio, suas decisões “sempre são tomadas com o respaldo” de Jair e ele está “cumprindo uma missão designada por Jair Messias Bolsonaro”.
O episódio ocorre em um momento de fragilidade do bolsonarismo, com Jair Bolsonaro inelegível até 2030 e o partido buscando novas lideranças para as eleições de 2026. Enquanto Flávio tenta se consolidar como o herdeiro político, Michelle ganha espaço como a principal articuladora do PL Mulher e uma das vozes mais influentes do movimento. A crise familiar, no entanto, pode enfraquecer ainda mais o grupo, que já enfrenta desafios para unificar o discurso e as alianças em todo o país. A reunião marcada para a próxima quarta-feira (1º) será um teste para a capacidade de reconciliação do clã Bolsonaro e para a manutenção da coesão do movimento.
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