Um forte terremoto que atingiu a Venezuela na noite desta quarta-feira (24) desencadeou uma mobilização internacional sem precedentes, com ao menos 14 países e organizações multilaterais oferecendo assistência humanitária e solidariedade à presidente interina Delcy Rodríguez e ao povo venezuelano. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva declarou-se ‘consternado’ com a situação e determinou ao Ministério das Relações Exteriores que avalie, junto à embaixada do Brasil em Caracas, as medidas de assistência que o Brasil pode oferecer, incluindo apoio na recuperação das áreas afetadas. A tragédia, que já deixou um rastro de destruição em Caracas e outras cidades, expõe a vulnerabilidade de um país que enfrenta uma grave crise econômica e política, e coloca à prova a capacidade de cooperação regional em momentos de emergência.
Em uma publicação nas redes sociais, Lula afirmou: ‘Reafirmo nossa determinação em apoiar o governo da presidenta encarregada Delcy Rodríguez na recuperação de áreas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência frente às adversidades’. O governo brasileiro também manifestou pesar por meio do Itamaraty, que informou que até o momento não há brasileiros identificados entre as vítimas. No norte do Brasil, cidades como Boa Vista e Manaus sentiram os tremores, e prédios chegaram a ser evacuados como medida de precaução. O Itamaraty disponibilizou contatos de emergência para brasileiros que estão na Venezuela: +58 414-3723337 e o plantão consular em Brasília, pelo telefone +55 (61) 98260-0610.
Onda de solidariedade global
Além do Brasil, chancelarias, embaixadas e chefes de Estado de diversos países se manifestaram rapidamente. Entre os países que conversaram diretamente com Delcy Rodríguez estão: Estados Unidos, Panamá, Catar, Cuba, Nicarágua, Turquia, Jordânia, Barbados, Curaçao, Colômbia, Reino Unido, México e as Nações Unidas. O vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, afirmou que o país vai prestar assistência: ‘Estamos em contato com as autoridades e mobilizando assistência’. Posteriormente, o governo dos EUA confirmou o envio de equipes de busca e resgate, suprimentos médicos, ajuda humanitária e outros recursos à Venezuela nos primeiros dias após o terremoto. O presidente Donald Trump também prestou solidariedade em uma publicação: ‘Estaremos lá para nossos novos e queridos amigos. Os primeiros relatos não são bons!’.
Segundo o Departamento de Estado norte-americano, uma força-tarefa e uma equipe de assistência a desastres já foram mobilizadas para coordenar a ajuda. O subsecretário de Estado para Assistência Externa, Assuntos Humanitários e Liberdade Religiosa, Jeremy Lewin, detalhou nas redes sociais a assistência que deve ser prestada pelo país, incluindo recursos para abrigos, água potável e atendimento médico de emergência. A rápida resposta internacional reflete a gravidade da situação e a necessidade de uma ação coordenada para mitigar os danos em um país que já enfrenta desafios humanitários significativos.
Impacto e contexto político
O terremoto, cuja magnitude e epicentro ainda estão sendo avaliados por institutos sismológicos, causou destruição em Caracas e em outras regiões do país. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram prédios desabados, ruas tomadas por escombros e cenas de pânico entre a população. A presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo após a crise política que afastou o presidente eleito, enfrenta agora o desafio de coordenar a resposta a um desastre natural em meio a uma economia fragilizada e a uma infraestrutura pública debilitada. A comunidade internacional, ao mesmo tempo que oferece ajuda, observa com atenção a capacidade do governo interino de gerir a crise e garantir que a assistência chegue às vítimas de forma eficiente e transparente.
A tragédia também reacende o debate sobre a necessidade de cooperação regional em desastres naturais, especialmente na América Latina, onde países como Colômbia, México e Brasil têm histórico de apoio mútuo em emergências. A situação na Venezuela, no entanto, é agravada por tensões políticas internas e pelo isolamento diplomático parcial do governo interino, o que pode complicar a logística da ajuda humanitária. Enquanto isso, a população venezuelana, já acostumada a superar adversidades, aguarda respostas concretas e rápidas de seus líderes e da comunidade internacional para reconstruir suas vidas e suas cidades.
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