Juros altos forçam franquias a criar linhas de crédito próprias para atrair novos empreendedores

Mesmo com a queda gradual da taxa Selic, que é a base dos juros da economia, a taxa praticada no mundo real ainda é um desafio para quem deseja abrir um novo negócio e não tem o valor necessário de investimento. Diante desse cenário, redes de franquias de diferentes setores estão ampliando suas opções de crédito para atrair empreendedores e manter o ritmo de expansão, conforme revela reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 24 de junho de 2026.

O Banco Central reduziu a Selic pela terceira vez consecutiva, fixando-a em 14,25% ao ano, mas o custo do crédito para pessoas físicas e pequenos empresários continua elevado. A crise recente da Tok&Stok, que expôs problemas com gestão e juros altos no varejo brasileiro, acendeu um alerta no setor de franquias sobre a necessidade de oferecer alternativas financeiras mais acessíveis.

Estratégias das redes de franquias

Para contornar o aperto creditício, diversas redes estão firmando parcerias com instituições financeiras e criando linhas de financiamento próprias. Entre as medidas adotadas estão a redução de taxas de juros para franqueados iniciantes, o parcelamento de taxas de adesão e a oferta de capital de giro subsidiado nos primeiros meses de operação.

Segundo a reportagem, redes como O Boticário, McDonald’s e SEB (Sistema Educacional Brasileiro) já anunciaram condições especiais para novos franqueados. A ABF (Associação Brasileira de Franchising) estima que, sem essas medidas, o número de novas unidades poderia cair até 15% em 2026.

Panorama político e econômico

O movimento das franquias ocorre em um contexto de incertezas fiscais e pressão inflacionária, que mantêm os juros reais entre os mais altos do mundo. O governo federal tem enfrentado críticas de setores produtivos pela lentidão na reforma tributária e na desburocratização do crédito. Enquanto isso, o Congresso Nacional discute projetos para ampliar o acesso ao microcrédito e reduzir o spread bancário, mas sem avanços concretos até o momento.

Para especialistas ouvidos pela Folha, a iniciativa das franquias é positiva, mas não substitui a necessidade de políticas públicas que reduzam o custo do dinheiro no país. A expectativa é que, com a continuidade do ciclo de queda da Selic, o crédito volte a fluir com mais naturalidade a partir de 2027.

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