MPF e DPU miram avanço de resorts sobre territórios de pescadores no Litoral Norte

O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) abriram apuração sobre o avanço de empreendimentos imobiliários e turísticos em áreas tradicionalmente ocupadas por pescadores artesanais em Porto de Pedras, no Litoral Norte de Alagoas. A investigação mira possíveis violações aos direitos territoriais das comunidades pesqueiras, que denunciam pressão crescente de resorts e condomínios na região.

Segundo os órgãos, o crescimento desordenado do setor imobiliário pode estar comprometendo áreas historicamente utilizadas para a pesca artesanal, atividade que sustenta dezenas de famílias locais. A ação conjunta do MPF e da DPU busca levantar documentos, ouvir lideranças comunitárias e verificar se os empreendimentos respeitam a legislação ambiental e os direitos das populações tradicionais.

A situação em Porto de Pedras reflete um conflito que se intensifica em todo o Litoral Norte alagoano, onde o turismo de alto padrão avança sem contrapartidas claras para os moradores originais. Enquanto isso, pescadores relatam dificuldades de acesso a pontos de pesca e temem a perda de seus meios de subsistência.

O próximo passo esperado é a realização de audiências públicas e inspeções in loco, que podem resultar em recomendações ou até ações judiciais contra os responsáveis por eventuais irregularidades. A pressão sobre o poder público municipal e estadual também deve aumentar, já que a especulação imobiliária na região não dá sinais de arrefecimento.

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