Três dias após ser derrotado na eleição suplementar ao governo de Roraima, o governador interino Soldado Sampaio (Republicanos) exonerou todos os ocupantes de cargos comissionados do Executivo local, conforme apurou o Painel da Folha. A medida, anunciada nesta quinta-feira (25), atinge milhares de servidores temporários e provoca um vácuo administrativo no estado, que já enfrenta desafios fiscais e de infraestrutura.
A decisão de Sampaio ocorre em meio a um cenário de incerteza política, já que o resultado da eleição suplementar ainda não foi oficialmente proclamado pela Justiça Eleitoral. O candidato do PL, Antonio Denarium, foi o mais votado no pleito, mas o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) afirmou não poder declará-lo eleito devido a pendências judiciais. A situação levanta dúvidas sobre quem assumirá o comando do estado nos próximos dias e como será a transição de governo.
Impacto imediato e reações
A exoneração em massa atinge cargos de confiança em todas as secretarias e órgãos estaduais, incluindo assessorias, diretorias e funções administrativas. Servidores relataram surpresa e preocupação com a falta de planejamento para a transição, já que muitos ocupavam funções essenciais para o funcionamento de serviços públicos, como saúde e educação. A medida também gera incerteza sobre o pagamento de salários e benefícios, uma vez que a folha de pagamento dos comissionados representa uma parcela significativa do orçamento estadual.
O governo interino, por meio de nota oficial, justificou a demissão como uma medida de “reorganização administrativa” e “economia de recursos”, mas não detalhou como pretende manter a continuidade dos serviços. Críticos apontam que a ação pode ter motivação política, visando dificultar a gestão do futuro governante ou pressionar a Justiça Eleitoral a acelerar a diplomação do eleito.
Panorama político e jurídico
A eleição suplementar em Roraima foi convocada após a cassação do mandato do governador Antonio Denarium (PL), em 2024, por abuso de poder político e econômico. Soldado Sampaio, então vice-governador, assumiu interinamente e concorreu ao cargo, mas ficou em segundo lugar. A indefinição sobre o resultado final do pleito mantém o estado em um impasse, com dois governantes de facto: Sampaio, que ainda exerce o cargo, e Denarium, que aguarda a decisão judicial.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a demissão em massa pode ser questionada na Justiça, por configurar possível ato de improbidade administrativa ou violação do princípio da continuidade do serviço público. O Ministério Público de Roraima (MP-RR) informou que acompanha o caso e pode abrir investigação para apurar irregularidades.
Enquanto isso, a população de Roraima enfrenta as consequências da instabilidade política, com serviços públicos comprometidos e a economia local em desaceleração. A indefinição sobre o futuro governo também afeta investimentos e projetos em andamento, como obras de infraestrutura e programas sociais.
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