De Washington Luís a Renan Filho, a marca da construção de estradas na política brasileira atravessa gerações e se consolida como um dos principais instrumentos de poder e desenvolvimento regional, conforme revela reportagem da Gazeta de Alagoas. A pavimentação de rodovias, muitas vezes associada a legados eleitorais e a promessas de integração nacional, transformou-se em moeda política capaz de alavancar carreiras e definir o ritmo do crescimento econômico em estados como Alagoas, onde a malha viária é estratégica para o escoamento da produção e a mobilidade da população.
A reportagem destaca que a tradição de usar estradas como plataforma política remonta ao início do século XX, com Washington Luís, presidente que governou entre 1926 e 1930 e ficou conhecido pelo lema “governar é abrir estradas”. Desde então, sucessivos governos, em diferentes esferas, repetiram a fórmula, associando obras de infraestrutura viária a projetos de poder. Em Alagoas, o exemplo mais recente é o de Renan Filho, ex-governador do estado e atual ministro dos Transportes do governo Lula, que fez da duplicação da BR-101 e de outras rodovias estaduais a bandeira de sua gestão, gerando empregos e reduzindo o isolamento de regiões antes pouco integradas.
Impactos regionais e nacionais
O investimento em estradas não se limita a um único partido ou figura política. Em todo o Brasil, governadores e presidentes, de diferentes matizes ideológicas, priorizaram a pavimentação como forma de acelerar o desenvolvimento e atender a demandas históricas de setores como o agronegócio, o turismo e a indústria. A reportagem da Gazeta de Alagoas aponta que, em Alagoas, a construção e recuperação de rodovias como a AL-101 e a AL-220 reduziu o tempo de deslocamento entre cidades e facilitou o acesso a serviços básicos, como saúde e educação, além de impulsionar a economia local.
No entanto, o uso político das estradas também gera controvérsias. Críticos apontam que muitas obras são iniciadas em anos eleitorais, sem planejamento de longo prazo, e que a manutenção das vias é frequentemente negligenciada, gerando desperdício de recursos públicos. A reportagem cita que, em Alagoas, a duplicação da BR-101, iniciada na gestão de Renan Filho, enfrentou atrasos e questionamentos sobre o custo-benefício, embora tenha sido concluída e hoje seja considerada essencial para o escoamento da produção de cana-de-açúcar e de outros produtos agrícolas.
Panorama político e legado
A associação entre estradas e política não é exclusividade de Alagoas. Em todo o Brasil, a construção de rodovias sempre foi um tema central em campanhas eleitorais e em discursos de posse. De Juscelino Kubitschek, com a construção de Brasília e a abertura de rodovias como a Belém-Brasília, a Dilma Rousseff, que investiu no PAC e em concessões, a infraestrutura viária permanece como um dos principais legados de governos. A reportagem da Gazeta de Alagoas conclui que, apesar das críticas, a pavimentação de estradas continua sendo uma das políticas públicas mais visíveis e de maior impacto na vida da população, especialmente em regiões menos desenvolvidas, onde a estrada é sinônimo de progresso e de acesso a direitos.
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