A confirmação da chegada do El Niño já mobiliza o setor de seguros no Brasil, que calcula os impactos do fenômeno climático e se prepara para um pico de indenizações nos próximos meses. Enquanto o segmento residencial espera aumento de prejuízos ligados a chuvas intensas, a seca prolongada deve elevar os acionamentos de apólices rurais, pressionando o caixa das seguradoras e redefinindo as estratégias de precificação.
O alerta foi acionado após a atualização dos modelos climáticos, que indicam maior probabilidade de eventos extremos entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. As companhias do setor, como Porto Seguro, Bradesco Seguros e Mapfre, já revisaram suas provisões técnicas e ampliaram as equipes de regulação de sinistros para dar conta da demanda esperada.
Chuvas e alagamentos: o risco urbano
No ambiente urbano, o principal temor são os alagamentos e deslizamentos de terra. Dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) apontam que, em eventos anteriores de El Niño, os sinistros residenciais cresceram entre 25% e 40% nas regiões Sul e Sudeste. Cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, com histórico de enchentes, estão no centro das atenções. As seguradoras estimam que os valores médios de indenização por imóvel danificado possam superar R$ 50 mil, considerando danos estruturais e perda de bens.
Seca e quebras de safra: o impacto no campo
No setor rural, a preocupação se concentra na redução da produtividade agrícola. O El Niño tende a provocar estiagem em partes do Centro-Oeste e Nordeste, afetando culturas como soja, milho e algodão. A Federação das Associações de Seguradoras Rurais (Faser) projeta que os acionamentos de apólices de seguro rural podem crescer até 60% em comparação com um ano sem o fenômeno. As indenizações por quebra de safra, que em 2025 somaram R$ 2,3 bilhões, podem saltar para mais de R$ 3,5 bilhões em 2026, pressionando o orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), do governo federal.
Panorama político e econômico
O cenário acendeu alerta também no Ministério da Agricultura e no Banco Central, que monitoram os efeitos inflacionários de uma possível alta nos alimentos. O governo estuda ampliar o orçamento do PSR em até R$ 500 milhões para evitar o desabastecimento de crédito rural. Enquanto isso, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) orienta as seguradoras a reforçarem suas reservas de capital, em linha com as normas do Acordo de Basileia adaptadas ao setor. A expectativa é que, até o fim do ano, o mercado de seguros movimente mais de R$ 15 bilhões apenas em indenizações relacionadas ao El Niño, um recorde histórico.
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