Crise de ciúmes termina em tragédia: mulher tem 90% do corpo queimado e companheiro é preso por tentativa de feminicídio em Maceió

Uma mulher, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades, teve 90% do corpo queimado e seu companheiro foi preso em flagrante por tentativa de feminicídio, em Maceió. A vítima foi arrastada para uma área de mata, incendiada após uma crise de ciúmes e permanece internada em estado grave no Hospital Geral do Estado (HGE). O suspeito, identificado como José Carlos da Silva, foi localizado em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e autuado em flagrante pela Polícia Civil de Alagoas.

De acordo com o boletim de ocorrência, o crime ocorreu na noite de quarta-feira (25), no bairro do Tabuleiro do Martins, na capital alagoana. Testemunhas relataram que o casal discutiu violentamente antes de o suspeito arrastar a vítima para uma área de mata próxima, onde ateou fogo em seu corpo. A mulher foi socorrida por vizinhos e levada ao HGE, onde permanece internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) com queimaduras de terceiro grau em 90% do corpo. O estado de saúde é considerado gravíssimo.

Investigação e prisão

A Polícia Civil foi acionada por volta das 22h e iniciou as buscas pelo suspeito. José Carlos da Silva foi localizado na manhã de quinta-feira (26) em uma UPA do bairro do Jacintinho, onde procurava atendimento médico para ferimentos leves. Ele foi conduzido à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e autuado em flagrante por tentativa de feminicídio. A delegada Maria do Socorro de Oliveira, responsável pelo caso, afirmou que o crime foi motivado por ciúmes e que o suspeito confessou o ato. “Ele demonstrou arrependimento, mas a gravidade do crime não permite atenuantes”, declarou.

Panorama da violência de gênero em Alagoas

O caso expõe a escalada da violência doméstica e feminicídios em Alagoas, estado que registrou aumento de 15% nos casos de tentativas de feminicídio no primeiro semestre de 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AL). Em 2024, foram 42 feminicídios consumados, contra 38 em 2023. Organizações de defesa dos direitos das mulheres, como o Instituto Maria da Penha, apontam que a subnotificação e a falta de políticas públicas eficazes agravam o cenário. “Precisamos de medidas preventivas, como ampliação das delegacias especializadas e fortalecimento das redes de acolhimento”, afirmou a presidente do instituto, Ana Paula de Souza.

A vítima, que não teve a identidade revelada para preservar sua segurança, segue em estado crítico. A família foi ouvida pela polícia e solicitou medidas protetivas. O suspeito permanece preso à disposição da Justiça, e a audiência de custódia está prevista para sexta-feira (27). O caso reacende o debate sobre a eficácia das leis de proteção à mulher e a necessidade de ações integradas entre Estado e sociedade civil para combater a violência de gênero.

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