STF Envia à PGR Pedido de Investigação sobre Financiamento de Vorcaro ao Filme ‘Dark Horse’ em Meio a Escândalo do Caso Master

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve encaminhar à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de investigação sobre supostos repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, obra cinematográfica ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão, que será formalizada pelo ministro André Mendonça, amplia o escopo do escândalo do Caso Master, que já resultou na prisão de Henrique Vorcaro e na suspeita de irregularidades no setor financeiro. O caso ganhou repercussão após reportagens apontarem que os recursos teriam sido desviados de instituições bancárias para financiar a produção, gerando questionamentos sobre a legalidade das transações e a possível participação de agentes políticos.

De acordo com fontes do STF, o pedido de investigação foi motivado por indícios de que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria utilizado sua influência no sistema financeiro para direcionar verbas ao filme, que aborda temas caros ao bolsonarismo. A produção, intitulada “Dark Horse”, é descrita como um documentário que exalta as políticas do governo anterior, mas sua origem financeira levanta suspeitas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, já sinalizou que a PGR deverá analisar se houve crime eleitoral ou financeiro, especialmente diante do volume de recursos envolvidos, estimado em R$ 5 milhões.

Panorama político e jurídico do Caso Master

O escândalo do Caso Master, que já levou à prisão de Henrique Vorcaro e à quebra de sigilos bancários, ganhou novos contornos com a revelação do financiamento ao filme. A operação, deflagrada pela Polícia Federal em junho de 2026, apontou um esquema de desvios de recursos do Banco Master para campanhas políticas e projetos pessoais de seus controladores. Agora, a ligação com a produção cinematográfica de Jair Bolsonaro coloca em xeque a relação entre o setor financeiro e o poder político, especialmente em um ano eleitoral. O senador Flávio Bolsonaro já pediu ao STF que declare o ministro Alexandre de Moraes suspeito para atuar no caso, argumentando que há perseguição política, mas a Corte ainda não se manifestou.

Paralelamente, o STF consulta a PGR sobre a transferência de Daniel Vorcaro para o presídio da Papuda, em Brasília, decisão que deve ser tomada pelo ministro André Mendonça na próxima semana. A medida é vista como um passo para centralizar as investigações na capital federal, onde tramitam os principais processos relacionados ao Caso Master. Enquanto isso, a defesa de Vorcaro tenta reverter a prisão preventiva, alegando falta de provas concretas, mas o STF já manteve a detenção de Henrique Vorcaro, irmão do ex-banqueiro, em decisão anterior.

Impactos no cenário financeiro e político

A revelação do financiamento ao filme “Dark Horse” acirra os ânimos no Congresso Nacional, onde parlamentares da oposição cobram uma investigação aprofundada sobre a relação entre o Banco Master e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Líderes partidários, como o deputado Líder do PT, afirmam que o caso expõe a promiscuidade entre o sistema financeiro e o poder Executivo durante o governo anterior. Já aliados de Bolsonaro classificam a investigação como “caça às bruxas” e tentam desqualificar as provas apresentadas pela Polícia Federal.

No setor financeiro, o escândalo abala a confiança dos investidores, especialmente após a quebra do Banco Master e a prisão de seus principais executivos. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central já abriram procedimentos para apurar possíveis fraudes contábeis e operações ilícitas. O caso também reacende o debate sobre a regulação do sistema bancário no Brasil, com especialistas defendendo maior transparência nas transações e punições mais severas para crimes financeiros.

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