Ferbasa obtém R$ 43,8 milhões do BNDES para nova planta de carvão vegetal na Bahia

A Ferbasa (Cia. de Ferro Ligas da Bahia) obteve financiamento de R$ 43,8 milhões junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para instalar uma nova planta de produção de carvão vegetal. O empreendimento será na cidade de Maracás, a 350 km de Salvador, e integra um movimento mais amplo de reindustrialização e busca por fontes renováveis de energia no setor siderúrgico brasileiro.

O aporte do BNDES, anunciado em 28 de junho de 2026, ocorre em um contexto de retomada de investimentos em infraestrutura e na cadeia produtiva de ferro-ligas, segmento estratégico para a indústria nacional. A Ferbasa, uma das maiores produtoras do setor, planeja utilizar o carvão vegetal como insumo para reduzir a dependência de coque mineral e diminuir a pegada de carbono de suas operações.

Impactos econômicos e ambientais

A nova planta em Maracás deve gerar centenas de empregos diretos e indiretos na região, historicamente marcada por atividades agropecuárias e extrativistas. O financiamento do BNDES é parte de uma linha de crédito voltada para projetos de descarbonização e eficiência energética, alinhada às metas climáticas do país. No entanto, a expansão da produção de carvão vegetal reacende o debate sobre o manejo sustentável de florestas plantadas e o risco de pressão sobre biomas nativos, como a Caatinga e a Mata Atlântica.

Especialistas apontam que, para que o projeto seja realmente sustentável, será necessário garantir a origem legal da biomassa e investir em sistemas de reflorestamento. A Ferbasa, por sua vez, afirma que a unidade utilizará madeira de florestas certificadas e tecnologias de carbonização mais eficientes, reduzindo emissões de gases poluentes.

Panorama político e econômico

A liberação de recursos do BNDES para a Ferbasa ocorre em meio a um cenário de reaquecimento da economia baiana e de disputas políticas em torno da política industrial do governo federal. O estado da Bahia tem buscado atrair investimentos para o setor de energia e mineração, com incentivos fiscais e parcerias público-privadas. A escolha de Maracás como sede do novo empreendimento também reflete a estratégia de interiorização do desenvolvimento, levando renda e infraestrutura para regiões afastadas da capital.

O projeto, contudo, não está imune a críticas. Organizações ambientais e movimentos sociais questionam a ausência de consultas prévias às comunidades locais e os potenciais impactos sobre os recursos hídricos e a biodiversidade. A transparência na aplicação dos recursos públicos e o cumprimento de condicionantes ambientais serão fundamentais para a legitimidade do investimento.

Com a conclusão prevista para 2028, a nova planta da Ferbasa representa um teste para o modelo de desenvolvimento sustentável proposto pelo governo, que tenta conciliar crescimento econômico com preservação ambiental. O financiamento do BNDES, nesse sentido, é um termômetro da disposição do banco estatal em apoiar projetos de transição energética, mesmo em setores tradicionalmente poluentes.

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