Na madrugada desta quinta-feira, 26 de junho, o Hospital Geral do Estado (HGE), maior unidade pública de saúde de Alagoas, foi palco de um apagão que deixou pacientes e profissionais de saúde às escuras por horas, expondo mais uma vez o colapso na infraestrutura hospitalar do estado. A Equatorial Energia Alagoas, distribuidora responsável pelo fornecimento de energia na região, negou qualquer responsabilidade pelo blecaute e afirmou que o problema teve origem em uma falha na subestação interna do próprio hospital. O episódio reacendeu críticas sobre o descaso do governo estadual com a manutenção e os investimentos na rede pública de saúde, em meio a uma crise que já afeta milhares de pacientes que dependem do SUS.
De acordo com a nota oficial da Equatorial, o apagão não foi causado por problemas na rede externa de distribuição, mas sim por um defeito em equipamento localizado na subestação interna do HGE. A empresa informou que suas equipes técnicas estiveram no local para verificar a situação e constataram que a falha era de responsabilidade da unidade hospitalar. A distribuidora destacou que o fornecimento de energia para a região onde o hospital está situado permaneceu normal durante todo o período, reforçando que o blecaute foi um evento isolado dentro da instituição.
Impacto imediato e riscos aos pacientes
O apagão no HGE, que durou aproximadamente duas horas, afetou diretamente o atendimento a dezenas de pacientes internados, incluindo aqueles em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e na emergência. Relatos de profissionais de saúde indicam que equipamentos essenciais, como respiradores e monitores cardíacos, ficaram sem energia, forçando a equipe a utilizar geradores improvisados e lanternas para garantir a continuidade dos cuidados. A falta de luz também comprometeu a realização de exames e procedimentos cirúrgicos programados, gerando atrasos e riscos adicionais à saúde dos pacientes. A situação foi classificada como crítica por associações de médicos e enfermeiros, que denunciam a precariedade da infraestrutura do hospital há anos.
Panorama político e responsabilidades
O episódio ocorre em um contexto de crescentes denúncias sobre a má gestão da saúde pública em Alagoas, com o governo estadual sendo alvo de críticas por sucessivos cortes orçamentários e falta de investimentos em manutenção preventiva. O HGE, que atende a uma média de 1.500 pacientes por dia, já havia registrado outros incidentes semelhantes nos últimos meses, incluindo quedas de energia e falhas em equipamentos de climatização. A oposição no legislativo estadual aproveitou o ocorrido para cobrar explicações do governo de Alagoas, liderado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), e exigir a abertura de uma investigação sobre as condições estruturais do hospital. Enquanto isso, a Equatorial mantém sua posição de que o problema é interno, mas especialistas apontam que a falta de um plano de contingência robusto por parte do hospital agrava a situação, expondo a fragilidade do sistema de saúde como um todo.
O apagão no HGE não é um caso isolado, mas sim um sintoma de um problema mais amplo que afeta hospitais públicos em todo o Brasil, onde a infraestrutura envelhecida e a falta de recursos agravam a crise sanitária. Em Alagoas, a situação é particularmente preocupante, pois o estado possui um dos menores índices de leitos hospitalares por habitante do país, e o HGE é a principal referência para casos de alta complexidade. A população, que já enfrenta longas filas de espera e falta de medicamentos, agora vê a segurança dos pacientes ser colocada em risco por falhas elétricas que poderiam ser evitadas com investimentos adequados.
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