Esquecimento eleitoral: 38% dos brasileiros não lembram voto para governador em 2022, aponta Datafolha

Mais de um terço da população brasileira afirma não se lembrar em quem votou para governador nas eleições de 2022, segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada neste sábado (28 de junho de 2026). O levantamento aponta que 38% dos entrevistados disseram não saber ou não recordar o nome do candidato escolhido para o cargo executivo estadual, um índice que acende alertas sobre o engajamento e a memória política do eleitorado.

O dado foi obtido a partir de entrevistas presenciais realizadas pelo Datafolha em todo o território nacional, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa ouviu 2.016 eleitores em 130 municípios brasileiros entre os dias 24 e 26 de junho de 2026. O resultado revela uma lacuna significativa na lembrança do voto para governador, cargo que, em tese, tem impacto direto na vida cotidiana dos cidadãos, como saúde, educação e segurança pública.

Panorama político e contexto eleitoral

O índice de 38% de esquecimento ou desconhecimento do voto para governador em 2022 ocorre em um cenário de crescente polarização política nacional, mas também de fragmentação das disputas estaduais. Nas eleições de 2022, 27 estados e o Distrito Federal elegeram governadores, com vitórias de candidatos de diferentes espectros ideológicos, desde o Partido dos Trabalhadores (PT) até o Partido Liberal (PL), passando por legendas como PSDB, MDB e União Brasil. A pesquisa não detalha quais estados apresentam maior índice de esquecimento, mas o dado sugere que a memória eleitoral pode estar associada à intensidade das campanhas locais e à visibilidade dos candidatos.

Especialistas ouvidos pelo portal República do Povo apontam que o esquecimento pode refletir a baixa identificação partidária e a volatilidade do eleitorado brasileiro. “O voto para governador muitas vezes é influenciado por fatores conjunturais, como o desempenho do governo anterior ou a popularidade de lideranças nacionais, e não por uma conexão duradoura com o candidato”, explica a cientista política Ana Maria Silva, da Universidade de São Paulo (USP). “Quando o eleitor não vê mudanças significativas no estado, a lembrança do voto se dissipa mais rapidamente.”

O levantamento do Datafolha também mostra que, entre os que afirmam lembrar o voto, 42% citam o nome do candidato vencedor em seus estados, enquanto 20% mencionam o segundo colocado. Os 38% restantes, que não sabem ou não lembram, representam um contingente expressivo de 60 milhões de eleitores, considerando o total de 156 milhões de votantes em 2022. Esse número supera a população de países como França ou Itália, evidenciando a magnitude do fenômeno.

Impacto na representação política

O esquecimento do voto para governador levanta questões sobre a eficácia da representação política e a comunicação entre governantes e governados. Se quase quatro em cada dez eleitores não se recordam de sua escolha, isso pode indicar que as gestões estaduais não estão conseguindo gerar identificação ou marcar presença na memória popular. “O governador é a autoridade mais próxima do cidadão em termos de serviços públicos, mas a pesquisa sugere que essa proximidade não se traduz em lembrança eleitoral”, avalia o jornalista Carlos Mendes, analista político do portal.

Além disso, o dado pode ter implicações para as eleições de 2026, que se aproximam. Com a campanha para governador já em andamento em alguns estados, o Datafolha indica que os candidatos precisarão investir em estratégias de fixação de imagem e em propostas concretas para superar o apagão de memória. Partidos como PT, PL e PSDB devem intensificar o uso de redes sociais e eventos presenciais para reverter o cenário.

A pesquisa completa do Datafolha está disponível no site do instituto, com detalhes por região, faixa etária e escolaridade. O levantamento também aborda a avaliação dos governos estaduais e a intenção de voto para presidente em 2026, mas o foco no esquecimento do voto para governador em 2022 é o dado mais impactante, por revelar uma desconexão entre o eleitor e o processo democrático.

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