A rotina de CEOs: como o treino matinal se tornou estratégia de produtividade

O treino das 5 da manhã se tornou quase um ritual para muitos presidentes de empresas — ou pelo menos é o que eles afirmam. A prática, que antes era vista como exceção, hoje é citada por executivos de diferentes setores como parte essencial da rotina para manter o equilíbrio entre saúde e alta performance profissional. A reportagem original, publicada pela Folha de S.Paulo em 28 de junho de 2026, mostra como CEOs de grandes corporações incorporam a atividade física antes do expediente, mesmo diante de agendas lotadas e viagens constantes.

Segundo a matéria, a adesão a treinos matinais não é unânime, mas ganhou força nos últimos anos como um diferencial de produtividade. Executivos como Carlos Alberto de Oliveira, presidente da Indústrias Reunidas Oliveira S.A., e Maria Fernanda Lopes, CEO da TechBrasil, relatam que o exercício físico logo cedo ajuda a clarear a mente e a tomar decisões mais rápidas ao longo do dia. A prática, no entanto, exige disciplina e planejamento, já que muitos desses líderes dormem, em média, seis horas por noite.

Impacto na gestão e na cultura corporativa

O fenômeno não se restringe a um único personagem político ou empresarial. A reportagem destaca que, em empresas como a Banco do Brasil e a Vale S.A., a alta cúpula incentiva programas de bem-estar que incluem academias nos escritórios e horários flexíveis para funcionários. A tendência reflete uma mudança no panorama corporativo: a saúde física passou a ser vista como um ativo estratégico, e não apenas como um benefício pessoal. Dados do Instituto Brasileiro de Produtividade indicam que empresas com programas de atividade física registram, em média, 15% menos afastamentos por estresse e 20% mais engajamento entre os colaboradores.

No entanto, a pressão por resultados ainda é um desafio. Luís Fernando Costa, especialista em gestão de carreira da Fundação Getulio Vargas, alerta que a rotina de treinos não deve ser romantizada. “Muitos CEOs têm acesso a personal trainers e nutricionistas, o que não é a realidade da maioria dos trabalhadores. É preciso cuidado para não criar uma expectativa irreal de que todos devem acordar às 5h para serem bem-sucedidos”, afirma Costa. A reportagem original também cita que, para alguns executivos, o treino é substituído por caminhadas curtas ou meditação, dependendo da agenda do dia.

Panorama político e econômico

O debate sobre produtividade e qualidade de vida ganha relevância em um momento em que o mercado de trabalho brasileiro enfrenta transformações. Com a reforma trabalhista em discussão no Congresso e a crescente adoção do home office, a linha entre vida pessoal e profissional se torna cada vez mais tênue. A prática dos CEOs, embora individual, reflete uma tendência global de busca por eficiência sem sacrificar a saúde. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomenda que países como o Brasil invistam em políticas de bem-estar no trabalho para reduzir o burnout, que afeta cerca de 30% dos profissionais brasileiros, segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho.

Para especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo, a rotina dos CEOs serve como termômetro de um movimento maior: a valorização do autocuidado como parte da cultura organizacional. Ainda assim, a reportagem ressalta que a realidade é complexa e que cada líder adapta a prática à sua realidade. Enquanto alguns juram pelo treino das 5h, outros preferem exercícios à noite ou nos fins de semana. O que parece unânime é a percepção de que, em um mundo corporativo cada vez mais acelerado, encontrar tempo para o corpo e a mente é, acima de tudo, uma questão de estratégia.

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