Depois de lidar com prefeitos, governadores e parlamentares de todo o país como secretário de Assuntos Federativos no Palácio do Planalto, André Ceciliano (PT) poderia concorrer a deputado federal neste ano. Mas optou por tentar voltar à Alerj (Assembleia Legislativa do RJ), como candidato a deputado estadual, em uma movimentação que reacende o debate sobre o passado recente da Casa, marcada por prisões de ex-presidentes e crises de credibilidade.
A decisão de Ceciliano ocorre em um contexto de forte instabilidade política no Rio de Janeiro, onde a Alerj foi palco de escândalos que resultaram na prisão de todos os outros ex-presidentes da Casa neste século. O parlamentar, que comandou a Assembleia entre 2021 e 2023, é o único a não ter sido alvo de detenção, o que lhe confere uma posição singular na disputa eleitoral de 2026.
Panorama político e impacto da articulação
A opção de Ceciliano por concorrer a uma vaga na Alerj, em vez de buscar um cargo federal, sinaliza uma estratégia de reconstrução de base política no estado. Como secretário de Assuntos Federativos, ele atuou na interlocução com entes subnacionais, mas agora volta o foco para o legislativo fluminense, onde pretende influenciar pautas como segurança pública, reforma administrativa e fiscalização de recursos estaduais.
A movimentação também reflete a fragmentação do cenário político no Rio, onde partidos como PT, PL e União Brasil disputam o controle da Casa. Ceciliano, que já foi aliado do governador Cláudio Castro (PL) em momentos de crise, agora busca se reposicionar como uma liderança independente, capaz de articular com diferentes espectros ideológicos.
Para analistas, o retorno de Ceciliano à Alerj pode representar um contraponto à polarização que domina a política nacional, mas também levanta questionamentos sobre a continuidade de práticas que levaram a Casa a ser associada a escândalos de corrupção e nepotismo. A ausência de prisões em seu mandato, no entanto, é vista como um trunfo em meio a um histórico de condenações que inclui ex-presidentes como Jorge Picciani e Paulo Melo.
A eleição de 2026 será decisiva para definir se Ceciliano conseguirá capitalizar essa imagem de ‘sobrevivente’ político e retomar o protagonismo na Assembleia, ou se o eleitorado fluminense buscará renovação em meio a um cenário de desconfiança institucional.
Fonte: ver noticia original

