Bombeiros retomam buscas por adolescente desaparecido na Praia do Paiva

Equipes do Corpo de Bombeiros retomaram, na manhã desta segunda-feira (29), as buscas por um adolescente de 15 anos desaparecido na Praia do Paiva, no litoral sul de Pernambuco, após um possível afogamento registrado no domingo (28). A operação, que mobiliza agentes por terra, mar e ar, concentra-se em um trecho de aproximadamente 2 quilômetros de extensão, entre a foz do Rio Pirapama e a área próxima ao condomínio Reserva do Paiva. Até o momento, a vítima não foi localizada, e as equipes trabalham com a hipótese de que o jovem tenha sido arrastado por correntezas, comuns na região durante a maré alta.

Segundo informações oficiais do Corpo de Bombeiros de Pernambuco, as buscas foram interrompidas ao anoitecer de domingo e retomadas ao amanhecer desta segunda, com o apoio de um helicóptero do Grupamento Tático Aéreo (GTA) e embarcações do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS). O adolescente, que estava acompanhado de familiares e amigos no momento do incidente, teria entrado no mar por volta das 15h30, quando foi visto sendo levado por uma onda. Testemunhas relataram que o jovem não conseguiu retornar à areia, e os guarda-vidas foram acionados imediatamente, mas não lograram êxito no resgate.

Operação integrada e desafios logísticos

A operação de busca envolve cerca de 30 profissionais, entre bombeiros militares, mergulhadores e tripulantes de aeronaves, que atuam em regime de revezamento para cobrir a área de varredura. O comandante da operação, tenente-coronel Carlos Alberto, destacou que as condições do mar, com ondas de até 1,5 metro e visibilidade reduzida devido à turbidez da água, têm dificultado os trabalhos. “Estamos utilizando sonares de varredura lateral e drones subaquáticos para mapear o fundo do mar, mas a correnteza forte e a presença de bancos de areia móveis tornam a busca mais complexa”, afirmou o oficial, em entrevista à imprensa local.

O desaparecimento do adolescente ocorre em um contexto de aumento de ocorrências de afogamento no litoral pernambucano durante o período de férias escolares. Dados da Secretaria de Defesa Social (SDS) indicam que, só em janeiro de 2025, foram registrados 12 casos de afogamento na região metropolitana do Recife, com três óbitos confirmados. A Praia do Paiva, conhecida por suas águas agitadas e ausência de salva-vidas fixos em alguns trechos, é apontada por especialistas como uma área de risco, especialmente para banhistas inexperientes.

Panorama político e social

O incidente reacende o debate sobre a segurança nas praias do estado e a necessidade de investimentos em infraestrutura de prevenção. A Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, município onde está localizada a Praia do Paiva, informou que mantém convênio com o Corpo de Bombeiros para a atuação de guarda-vidas durante a alta temporada, mas reconheceu que a cobertura é insuficiente para toda a extensão da orla. Em nota, a administração municipal afirmou que estuda a implantação de torres de observação adicionais e a contratação de mais profissionais para o próximo verão.

Enquanto isso, a família do adolescente, que reside no bairro de Boa Viagem, no Recife, permanece na praia acompanhando as buscas, em meio a apelos por mais agilidade e recursos. O caso também mobilizou a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), onde o deputado estadual João Paulo (PT) protocolou um requerimento solicitando informações detalhadas sobre o plano de segurança das praias do estado. “Não podemos aceitar que jovens percam a vida por falta de estrutura. É urgente um plano integrado entre estado e municípios para evitar tragédias como essa”, declarou o parlamentar, em pronunciamento.

As buscas devem prosseguir até o fim da tarde desta segunda-feira, com possibilidade de prorrogação caso as condições climáticas permitam. O Corpo de Bombeiros orienta que banhistas evitem áreas não sinalizadas e respeitem as bandeiras de advertência, enquanto a comunidade local se une em solidariedade à família enlutada.

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