Uma mulher, cujo nome ainda não foi divulgado pelas autoridades, foi morta a facadas pelo ex-companheiro na manhã desta quinta-feira (26), no município de Pernambuco, enquanto seguia para uma delegacia para registrar uma denúncia formal por ameaças. O agressor, identificado como José Carlos da Silva, de 42 anos, após cometer o feminicídio, ingeriu veneno e morreu no local, segundo informações da Polícia Civil de Pernambuco.
O crime ocorreu por volta das 9h, em uma rua movimentada do bairro Centro, na cidade de Garanhuns. De acordo com testemunhas, a vítima, de 34 anos, havia saído de casa com o objetivo de formalizar a queixa contra o ex-companheiro, que vinha a ameaçando há semanas. Durante o trajeto, o homem a abordou e desferiu múltiplos golpes de faca, causando a morte instantânea da mulher. Em seguida, ele ingeriu uma substância tóxica, vindo a óbito antes da chegada do socorro.
Panorama da violência doméstica no Brasil
O caso reacende o debate sobre a eficácia das medidas protetivas e a necessidade de aprimoramento do sistema de acolhimento a vítimas de violência doméstica. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2024, o Brasil registrou uma média de 4 feminicídios por dia, muitos deles cometidos por ex-parceiros. Em Pernambuco, o número de denúncias de ameaças e violência doméstica cresceu 12% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2023, segundo a Secretaria de Defesa Social do Estado.
A Polícia Civil de Pernambuco informou que o caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O delegado responsável, Carlos Alberto de Souza, afirmou que a vítima havia solicitado uma medida protetiva há duas semanas, mas o processo ainda estava em tramitação na Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. “A demora na concessão das medidas protetivas é um problema estrutural que expõe as mulheres a riscos iminentes”, declarou o delegado, em nota à imprensa.
O Ministério Público de Pernambuco também se manifestou, destacando que a tragédia evidencia a necessidade de integração entre os sistemas de justiça e segurança pública. “É fundamental que haja agilidade na análise dos pedidos de proteção e que as vítimas tenham acesso imediato a abrigos e apoio psicológico”, afirmou a promotora Ana Beatriz Lins, da Promotoria de Defesa da Mulher.
O corpo da vítima foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) de Caruaru para perícia. O caso segue sob investigação, e a Polícia Civil solicita que qualquer informação sobre o ocorrido seja repassada pelo Disque-Denúncia (181).
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