Lobbies de grandes grupos econômicos travam fim da escala 6×1 e programa Move Brasil, denuncia ministro Boulos

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, criticou duramente a atuação de grandes grupos econômicos em duas frentes estratégicas para o governo federal: no Senado, onde dificultam a tramitação da proposta que acaba com a jornada 6 por 1, e no sistema financeiro, com bancos criando obstáculos à implementação do programa Move Brasil. As declarações foram feitas durante o programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

O Move Brasil Aplicativos é um programa do governo federal voltado a facilitar a compra de veículos por taxistas e motoristas de aplicativos. Segundo o ministro, grupos empresariais têm travado medidas voltadas aos trabalhadores e à ampliação de oportunidades para a população de baixa renda. Boulos afirmou que os bancos estão rejeitando a maior parte dos pedidos de financiamento de veículos, tanto de taxistas como de motoristas de aplicativos, sem a apresentação de justificativas razoáveis.

Bancos usam critérios opacos para negar crédito

“Estamos tendo três tipos de problemas principais na implementação do Move Brasil. O primeiro problema é que a maioria dos que entram com pedido de crédito têm tido o seu cadastro rejeitado, mesmo tendo o nome limpo”, disse o ministro. Segundo ele, os bancos têm usado termos como “score, rating e taxa de risco” para não conceder crédito, o que, na avaliação do ministro, não faz sentido, uma vez que esses empréstimos têm, no governo, um fundo garantidor. A situação atinge diretamente motoristas de aplicativos e taxistas que dependem do financiamento para renovar ou adquirir veículos.

PEC do fim da escala 6×1 enfrenta resistência no Senado

Na outra frente, Boulos criticou a atuação de lobbies empresariais no Senado, que estariam dificultando a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a jornada de trabalho 6 por 1. A proposta, que visa reduzir a carga horária semanal de 44 para 36 horas, sem redução salarial, é uma das bandeiras históricas do movimento sindical e de centrais como a CUT e a Força Sindical. O ministro afirmou que os mesmos grupos que se opõem ao programa Move Brasil também atuam para travar a PEC, revelando uma agenda coordenada contra direitos trabalhistas e políticas de inclusão econômica.

O cenário expõe um embate entre o governo federal e setores do empresariado, especialmente do sistema financeiro e de grandes corporações, que resistem a medidas de ampliação de direitos e de acesso ao crédito para a população de baixa renda. Enquanto isso, senadores discutem o ritmo de tramitação da PEC, e o governo busca alternativas para desobstruir o programa Move Brasil, que já conta com linhas de crédito ampliadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para ônibus e micro-ônibus.

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