Um homem de 55 anos foi preso em flagrante na tarde desta quarta-feira (12) após agredir a própria mãe, uma idosa de 80 anos, com uma chinelada no rosto, no município de União dos Palmares, em Alagoas. O caso, registrado pela Polícia Militar, ocorreu por volta das 14h, em uma residência no bairro Centro. A vítima, que não teve o nome divulgado, foi socorrida e encaminhada a uma unidade de saúde local, onde recebeu atendimento médico. O agressor foi conduzido à Delegacia Regional de Polícia Civil de União dos Palmares, onde foi autuado por violência doméstica contra idoso, crime previsto no Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003).
De acordo com o boletim de ocorrência, a agressão aconteceu após uma discussão entre mãe e filho, motivada por desentendimentos familiares. Testemunhas relataram que o homem, em um acesso de fúria, atingiu o rosto da idosa com um chinelo, causando-lhe hematomas e escoriações. Vizinhos acionaram a polícia, que chegou ao local minutos depois e encontrou a vítima em estado de choque. O agressor, que tentou fugir, foi detido ainda nas proximidades da residência.
Violência contra idosos cresce no Brasil
O caso de União dos Palmares reflete uma realidade alarmante no país. Dados do Disque 100, canal do governo federal para denúncias de violações de direitos humanos, indicam que, em 2023, foram registradas mais de 35 mil denúncias de violência contra idosos no Brasil, um aumento de 12% em relação ao ano anterior. A maioria dos agressores são filhos ou netos das vítimas, e as agressões físicas representam cerca de 40% dos casos. Especialistas apontam que a violência doméstica contra idosos muitas vezes é subnotificada, seja por medo de represálias ou por dependência financeira e emocional das vítimas.
O Estatuto do Idoso prevê penas de detenção de seis meses a um ano para casos de violência física, podendo ser aumentadas se resultarem em lesão corporal grave ou morte. No caso de União dos Palmares, o agressor pode responder por crime de violência doméstica, com agravante por ser contra ascendente, o que pode elevar a pena para até três anos de reclusão, além de multa. A Polícia Civil informou que o homem permanece preso à disposição da Justiça e que a idosa foi encaminhada para um abrigo temporário, enquanto medidas protetivas são solicitadas.
Panorama político e social
O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a efetividade das políticas públicas de proteção ao idoso. Em Alagoas, estado com uma das maiores taxas de violência doméstica do país, o governo estadual anunciou, em janeiro deste ano, a ampliação do programa Ronda da Proteção, que atende vítimas de violência doméstica, incluindo idosos. No entanto, críticos apontam que faltam recursos e pessoal para atender a demanda crescente. A Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social afirmou, em nota, que está acompanhando o caso e que oferecerá suporte psicológico e jurídico à vítima.
Organizações de defesa dos direitos dos idosos, como o Conselho Nacional do Idoso, cobram maior rigor na aplicação da lei e campanhas de conscientização para prevenir a violência intrafamiliar. O presidente do conselho, João Batista, destacou que “a violência contra idosos é uma chaga social que precisa ser enfrentada com políticas integradas entre saúde, assistência social e segurança pública”. Enquanto isso, a comunidade de União dos Palmares se mobiliza para apoiar a idosa, que agora vive sob proteção judicial.
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