Moradores do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, estão se mobilizando para tentar impedir a derrubada de dezenas de árvores em uma praça da região, onde a prefeitura planeja implementar um novo Centro TEA – serviço de atendimento terapêutico para pessoas com transtorno do espectro autista. A Praça Kaol Sugimoto, localizada na Avenida Eliseu de Almeida, é composta por um fragmento nativo de Mata Atlântica com densa cobertura vegetal, integra a bacia hidrográfica do córrego Pirajuçara – afluente do Rio Pinheiros que corre sob a avenida – e tem alto potencial de infiltração, funcionando como importante área de drenagem natural. É também um abrigo de fauna silvestre, como saguis e tucanos. Um abaixo-assinado virtual lançado na semana passada pede que a prefeitura avalie outros imóveis disponíveis na região como alternativas para o equipamento. “Reconhecemos e apoiamos a necessidade de ampliar o atendimento às pessoas com TEA. No entanto, entendemos que esse importante avanço não deve ocorrer às custas da perda de uma área verde já consolidada, essencial para a qualidade de vida da comunidade”, diz o texto, que já recebeu apoio de 2,2 mil pessoas.
Questionada, a Prefeitura de São Paulo disse que “não há nenhuma decisão tomada sobre a supressão vegetal no local” e que “a ação iniciada neste mês trata-se somente de um mapeamento das árvores existentes como uma etapa preliminar dos estudos”. A área verde com aproximadamente 9 mil metros quadrados está cercada por tapumes desde segunda-feira passada (22), e a empresa contratada para conduzir a obra passou a última semana descarregando equipamentos e materiais. O local também foi retirado do cadastro municipal de praças na plataforma Geosampa, sistema da prefeitura com dados georreferenciados do município.
Frequentadores contam que, nas últimas décadas, a praça se consolidou como um relevante espaço de convivência comunitária. “Eu cresci nessa praça e foi aqui que os meus filhos se conectaram com a natureza pela primeira vez. Até hoje tem escolas que fazem atividade nessa praça, inclusive com crianças neuroatípicas”, contou ao g1 a educadora ambiental Laís Vitória, de 32 anos. Segundo ela, foram os próprios moradores que instalaram brinquedos e plantaram árvores frutíferas na praça. Laís afirma que identificou 117 árvores marcadas com tinta vermelha no local, sinalização que costuma indicar quais deverão ser cortadas.
Moradores envolvidos no movimento pela preservação da praça afirmam que o local não é um “terreno vazio”, mas uma área pública prevista desde o loteamento original do Jardim Rolinópolis, de 1952. O embate reflete um dilema recorrente na cidade de São Paulo: a necessidade de expandir serviços públicos essenciais, como o atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista, versus a preservação de áreas verdes urbanas com relevância ecológica e social. A região do Butantã, que já conta com outras unidades de saúde e assistência, vê agora a comunidade se organizar em defesa de um espaço que, além de servir como pulmão verde, é usado por escolas e famílias para atividades ao ar livre.
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