Um relatório da Polícia Federal obtido com exclusividade pelo portal Frances News revela que a suposta amante de Gustavo Pontes, secretário investigado em esquema de corrupção, adquiriu uma mansão avaliada em R$ 1,69 milhão, recebeu transferências via Pix e teve despesas pessoais custeadas pelo servidor público. O documento, que integra o inquérito que tramita sob sigilo na Justiça Federal, detalha movimentações financeiras suspeitas entre 2023 e 2025, apontando indícios de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, a compra do imóvel de alto padrão, localizado em um condomínio fechado na região metropolitana de Brasília, foi registrada em nome da mulher, identificada como Ana Clara Mendes, em julho de 2024. O pagamento foi fracionado em parcelas que somam exatamente R$ 1,69 milhão, com origem em contas de Gustavo Pontes e de empresas terceirizadas que mantêm contratos com a administração pública. Os investigadores destacam que o valor é incompatível com a renda declarada de Ana Clara, que atua como profissional autônoma sem registros de ganhos que justifiquem a aquisição.
Transferências e custeio de despesas
O relatório também aponta que, entre janeiro de 2023 e março de 2025, Gustavo Pontes realizou ao menos 47 transferências via Pix para a conta da suposta amante, totalizando R$ 342 mil. Os valores, segundo a PF, eram enviados com frequência mensal e, em alguns meses, ultrapassavam R$ 15 mil. Além disso, o secretário teria custeado despesas como mensalidades de escola particular, planos de saúde e viagens nacionais e internacionais de Ana Clara, conforme registros de cartão de crédito e extratos bancários anexados ao inquérito.
As investigações indicam que os pagamentos ocorriam por meio de contas de Gustavo Pontes e de empresas de fachada, que recebiam recursos de contratos públicos superfaturados. A PF suspeita que o esquema envolva desvio de verbas destinadas a obras de infraestrutura e serviços de consultoria, com a participação de outros servidores e empresários. Até o momento, três pessoas foram indiciadas por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Panorama político e reações
O caso ganha relevância em meio a um cenário de endurecimento das investigações contra desvios na administração pública, especialmente em estados como o Distrito Federal, onde Gustavo Pontes ocupava cargo de confiança na Secretaria de Governo. A revelação do relatório ocorre em um momento de pressão sobre o Executivo local, que já enfrenta denúncias de irregularidades em licitações e nomeações políticas. A oposição na Câmara Legislativa do Distrito Federal protocolou requerimento de convocação do secretário para prestar esclarecimentos, enquanto entidades de controle social cobram transparência.
O advogado de Gustavo Pontes, Carlos Alberto Silva, negou as acusações em nota, afirmando que as transações financeiras são “lícitas e decorrentes de relações pessoais” e que o relatório da PF “carece de provas concretas”. Já a defesa de Ana Clara Mendes não se manifestou até o fechamento desta edição. A Polícia Federal continua as investigações e aguarda autorização judicial para quebrar sigilos bancários e fiscais de outros envolvidos.
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