A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (1º) a terceira fase da Operação Rent a Car, denominada Operação Galho Fraco II, com o objetivo de aprofundar investigações relacionadas à prática de peculato, lavagem de dinheiro, fraude processual e organização criminosa. As medidas judiciais, autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridas no Distrito Federal, em Goiás e Minas Gerais, conforme informou a corporação em nota oficial, para coleta e preservação de elementos de prova.
As investigações apontam indícios de um possível esquema envolvendo agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas “utilizadas para dar aparência de legalidade” à movimentação de recursos públicos. Há também indícios de possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode caracterizar fraude processual, completou a nota da PF. Nas fases anteriores da operação, foram identificadas irregularidades na contratação de empresa de locação de veículos com recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). A atual fase aprofunda as apurações sobre a movimentação e a destinação desses recursos, concluiu a corporação.
Panorama político e desdobramentos
A operação ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre o uso de cotas parlamentares, que somam milhões de reais anualmente e são frequentemente alvo de denúncias de desvios. A Ceap, destinada a cobrir despesas de mandato, como aluguel de veículos, combustível e divulgação, tem sido utilizada em esquemas que envolvem desde superfaturamento até contratações fictícias. A terceira fase da Operação Rent a Car amplia o alcance das investigações, que já resultaram em prisões e afastamentos de servidores em fases anteriores, e sinaliza a disposição do STF e da PF em coibir a malversação de verbas públicas no âmbito do Legislativo.
O caso se insere em um cenário mais amplo de operações da PF que miram desvios em diferentes esferas, como a investigação sobre lavagem de dinheiro na saúde do Rio de Janeiro e a operação contra o Banco Digimais. A falta de pessoal na corporação, recentemente alegada ao STF em outro inquérito que envolve o filho do presidente Lula, contrasta com a celeridade das ações em andamento, evidenciando a complexidade do combate à corrupção no país.
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