Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (1º) mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual disputa de segundo turno no pleito presidencial de 2026. O chefe do Executivo registra 48,8% das intenções de voto, enquanto o parlamentar tem 42,3%, configurando uma vantagem de 6,5 pontos percentuais para o petista. O levantamento, realizado pelo instituto AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, ouviu 2.500 eleitores entre os dias 25 e 30 de março, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
O resultado reforça a polarização que domina o cenário eleitoral brasileiro, com Lula e Flávio Bolsonaro consolidados como os principais nomes de suas respectivas correntes políticas. A pesquisa também indica que, em um eventual primeiro turno, Lula lidera com 40,2% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 32,5%, enquanto outros candidatos, como o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aparecem com percentuais menores, mas ainda relevantes para o debate sucessório.
Rejeição como fator determinante
O levantamento da AtlasIntel/Bloomberg se soma a outras pesquisas que apontam a rejeição como um dos principais motores da disputa. Dados recentes do instituto Nexus, encomendados pelo BTG Pactual, mostram que a rejeição a Lula e a Flávio Bolsonaro domina o cenário eleitoral, com ambos os políticos apresentando altos índices de avaliação negativa entre os eleitores. Esse fator pode influenciar diretamente a estratégia de campanha, especialmente em um segundo turno, onde a capacidade de atrair votos de eleitores indecisos ou de candidatos eliminados será crucial.
Enquanto Lula busca consolidar sua base e ampliar o diálogo com setores do centro político, Flávio Bolsonaro enfrenta desafios internos no próprio partido, incluindo a ausência em 43% das votações nominais no Senado, conforme reportagem do portal República do Povo. Essa baixa participação tem gerado questionamentos sobre sua capacidade de articulação legislativa e pode impactar sua imagem perante o eleitorado mais atento à atuação parlamentar.
Panorama político e alianças em disputa
O cenário eleitoral para 2026 também é marcado por movimentações regionais e alianças estratégicas. No Ceará, por exemplo, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) rebateu declarações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro autorizou apoio ao ex-governador Ciro Gomes (PDT), indicando que as articulações partidárias podem transcender as fronteiras estaduais e influenciar a disputa nacional. Essa aliança, se confirmada, pode fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro no Nordeste, região onde Lula tradicionalmente tem vantagem.
Além disso, pesquisas como a do Datafolha, que divulgará novos números no próximo domingo (5), e a do AtlasIntel, que já apontou Lula com vantagem de 6,5 pontos sobre Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno, indicam que a disputa presidencial deve ser acirrada e marcada por alta rejeição. A ausência de Jair Bolsonaro no páreo, devido à sua inelegibilidade, abre espaço para que outros nomes do campo conservador, como Tarcísio de Freitas e o próprio Flávio Bolsonaro, disputem a liderança da oposição.
Com a aproximação do calendário eleitoral, os partidos intensificam as negociações e as pesquisas de opinião pública se tornam termômetros essenciais para medir o humor do eleitorado. A vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, embora significativa, não é definitiva, especialmente considerando a volatilidade do cenário político e a capacidade de mobilização das bases. O resultado final dependerá da evolução das campanhas, das alianças firmadas e da capacidade de cada candidato em reduzir a rejeição e ampliar o apoio entre os eleitores indecisos.
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