Coveiro de Divinópolis é indiciado por torturar esposa nua por oito dias e obrigá-la a usar crack

Um coveiro de Divinópolis, no interior de Minas Gerais, foi indiciado pela Polícia Civil por manter a própria esposa nua em cárcere privado por oito dias, submetendo-a a torturas físicas e psicológicas, incluindo a obrigação de consumir crack. O servidor público, cujo nome não foi divulgado, também tentou matar a companheira a facadas. O inquérito foi concluído e o homem permanece preso preventivamente, aguardando decisão judicial.

De acordo com a investigação, os abusos ocorreram entre os dias 18 e 26 de julho de 2026, na residência do casal, localizada no bairro Nossa Senhora das Graças. A vítima, uma mulher de 32 anos, foi mantida nua, sem acesso a roupas ou alimentos, e forçada a inalar crack repetidamente. Em depoimento, ela relatou que o marido a agredia com socos, chutes e golpes de faca, além de ameaçá-la de morte caso tentasse fugir ou denunciá-lo.

Detalhes do crime e da investigação

A Polícia Civil de Divinópolis, por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), iniciou as apurações após a vítima conseguir escapar e pedir ajuda a vizinhos, que acionaram a polícia. No local, os agentes encontraram a mulher com múltiplas lesões pelo corpo, sinais de desnutrição e em estado de choque. O coveiro foi preso em flagrante no mesmo dia, e a Justiça converteu a prisão em preventiva, considerando a gravidade do crime e o risco de reiteração.

O delegado responsável pelo caso, Dr. Carlos Mendes, afirmou que as provas coletadas — incluindo depoimentos, exames de corpo de delito e registros de mensagens — comprovam a prática de tortura, cárcere privado, lesão corporal grave e tentativa de feminicídio. “A vítima foi submetida a um sofrimento extremo, com total desrespeito à sua dignidade. O indiciamento reflete a complexidade e a brutalidade do caso”, declarou.

Panorama político e social

O caso reacende o debate sobre a violência doméstica e o feminicídio no Brasil, que registrou, em 2025, mais de 1.400 mortes de mulheres em contextos de violência de gênero, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em Minas Gerais, a taxa de feminicídio cresceu 12% no último ano, com destaque para cidades do interior, onde o acesso a serviços de proteção é mais limitado. A situação de Divinópolis, que já havia registrado três feminicídios em 2026, evidencia a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção e acolhimento.

Organizações de defesa dos direitos das mulheres, como a Associação de Mulheres de Divinópolis (AMD), cobram do poder público municipal e estadual a ampliação de abrigos, delegacias especializadas e campanhas educativas. “Casos como este mostram que a violência doméstica não é um problema privado, mas uma questão de saúde pública e de justiça social. Precisamos de ações coordenadas entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário”, afirmou a presidente da AMD, Maria Aparecida Silva.

O coveiro, que trabalhava no Cemitério Municipal de Divinópolis há 15 anos, foi afastado do cargo pela Prefeitura, que abriu sindicância para apurar sua conduta. A administração municipal, em nota, repudiou o ocorrido e se colocou à disposição para colaborar com a Justiça. A vítima, que está sob proteção em um abrigo sigiloso, recebe acompanhamento psicológico e social da rede de apoio municipal.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deve oferecer denúncia formal nos próximos dias, e o réu pode pegar até 30 anos de prisão, se condenado por todos os crimes. O caso segue em segredo de Justiça, mas a Polícia Civil reforça que a investigação foi concluída com robustez probatória. A sociedade civil, por sua vez, organiza protestos para o próximo fim de semana, exigindo justiça e medidas concretas contra a violência de gênero.

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