Superlotação na Maternidade Santa Mônica persiste e Sinmed-AL cobra nova unidade para aliviar crise

O Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed-AL) denunciou, nesta quarta-feira (26), a persistente superlotação na Maternidade Santa Mônica, unidade de referência em saúde materno-infantil no estado. A entidade afirma que o hospital permanece acima da capacidade operacional, com pacientes internadas em corredores e profissionais submetidos a condições de trabalho extremas. O presidente do Sinmed-AL, Dr. Fernando Lima, cobrou a ampliação imediata de leitos e a construção de uma nova maternidade para reduzir a sobrecarga sobre pacientes e equipes.

A denúncia ocorre em meio a um cenário de crise na saúde pública alagoana, que já registrou episódios semelhantes em outras unidades. A Maternidade Santa Mônica, localizada em Maceió, é a principal porta de entrada para partos de alto risco e atendimentos de urgência ginecológica na região metropolitana. Segundo o sindicato, a unidade opera com uma taxa de ocupação que ultrapassa 100% dos leitos disponíveis, forçando a internação de gestantes em macas nos corredores e salas de espera.

Condições de trabalho e risco para pacientes

O presidente do Sinmed-AL destacou que a superlotação não afeta apenas o conforto das pacientes, mas também compromete a segurança assistencial. “Os profissionais estão exaustos, trabalhando em regime de sobrecarga, sem condições mínimas de oferecer um atendimento digno. As pacientes ficam expostas a riscos de infecção e a demora no atendimento pode agravar quadros clínicos”, afirmou Dr. Fernando Lima. A entidade também apontou a falta de insumos básicos, como medicamentos e materiais hospitalares, como um agravante da crise.

A situação na Maternidade Santa Mônica reflete um problema estrutural na rede pública de saúde de Alagoas. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que o estado possui uma das menores taxas de leitos por habitante do país, com destaque para a carência de unidades de terapia intensiva (UTI) neonatal e obstétrica. A construção de uma nova maternidade, segundo o Sinmed-AL, seria uma solução de médio prazo para desafogar a Santa Mônica e redistribuir a demanda.

Panorama político e cobranças

A denúncia do Sinmed-AL ocorre em um contexto de tensão entre o sindicato e o governo estadual. Em julho, a entidade já havia protocolado um ofício à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) cobrando a ampliação de leitos e a realização de concurso público para reposição de profissionais. Até o momento, não houve resposta oficial sobre as medidas anunciadas. A Sesau, por sua vez, informou que está avaliando a situação e que pretende inaugurar um novo centro obstétrico em Maceió até o final do ano, mas sem detalhar prazos ou capacidade.

O presidente do Sinmed-AL também criticou a falta de planejamento do poder público. “Não adianta apenas maquiar números ou prometer soluções paliativas. Precisamos de investimentos reais em infraestrutura e pessoal. A população não pode continuar refém de uma gestão que ignora a gravidade do problema”, declarou. A entidade ameaça recorrer ao Ministério Público Estadual e ao Conselho Regional de Medicina (CRM-AL) caso não haja avanços concretos.

Enquanto isso, pacientes e familiares relatam o drama diário. Maria Aparecida Silva, 32 anos, que aguardava atendimento na maternidade na manhã desta quarta, contou que chegou com dores e foi orientada a esperar em uma cadeira no corredor. “Estou aqui desde as 6h. Disseram que não tem leito, que vou ter que esperar. É desesperador”, desabafou. Casos como o de Maria se repetem diariamente, reforçando a urgência de uma solução definitiva para a crise na saúde pública alagoana.

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