Fazendas Nacional e de SP pedem falência do Grupo Dolly por dívida de R$ 15,7 bilhões

As Fazendas Nacional e Fazendas de São Paulo protocolaram, em conjunto, um pedido de falência contra o Grupo Dolly, fabricante de refrigerantes, por uma dívida total de R$ 15,7 bilhões. O documento, obtido com exclusividade pelo portal Republica do Povo, alega que a empresa teria adotado uma suposta estratégia de blindagem patrimonial para evitar o pagamento dos débitos, enquanto busca manter suas atividades operacionais durante o processo judicial. O caso, que envolve uma das maiores marcas de bebidas do país, promete gerar impactos significativos no setor industrial e no mercado de crédito brasileiro.

O pedido conjunto, protocolado no Fórum de São Paulo, detalha que a dívida acumulada inclui valores referentes a contratos de fornecimento de insumos agrícolas, serviços e empréstimos não quitados desde 2020. As fazendas, que atuam como credoras, afirmam que o Grupo Dolly teria transferido ativos para empresas controladas por familiares e terceiros, dificultando a execução das garantias. A estratégia, segundo a petição, configuraria fraude contra credores, prática que pode ser investigada pela Justiça. O valor de R$ 15,7 bilhões representa uma das maiores dívidas corporativas já registradas no país, superando casos emblemáticos como o da Oi e da Samarco.

O Grupo Dolly, fundado em 1987 pelo empresário Laerte Codonho, é um dos maiores fabricantes de refrigerantes do Brasil, com marcas como Dolly Guaraná e Dolly Cola. A empresa, que já enfrentou crises financeiras anteriores, incluindo uma recuperação judicial em 2018, agora busca manter suas fábricas em operação durante o processo de falência. Em nota, a assessoria do grupo afirmou que “a empresa está avaliando as medidas legais cabíveis e confia na Justiça para garantir a continuidade dos negócios e a proteção dos empregos de mais de 5 mil funcionários diretos”.

O panorama político e econômico brasileiro adiciona complexidade ao caso. A dívida de R$ 15,7 bilhões ocorre em um momento de alta inflação e juros elevados, que pressionam o setor de bebidas, já afetado pela concorrência de gigantes como Coca-Cola e Ambev. Além disso, o governo federal, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem discutido medidas para facilitar a renegociação de dívidas empresariais, mas o caso Dolly pode expor fragilidades no sistema de recuperação judicial. Especialistas consultados pelo Republica do Povo apontam que a blindagem patrimonial, se comprovada, pode levar a sanções criminais e à responsabilização de controladores.

O processo corre em segredo de Justiça, mas fontes do Tribunal de Justiça de São Paulo indicam que a decisão sobre a falência pode sair em até 60 dias. Enquanto isso, o Grupo Dolly tenta negociar um acordo extrajudicial com as fazendas, mas as conversas estariam emperradas pela recusa em reconhecer a dívida total. A situação coloca em xeque o futuro de uma das marcas mais icônicas do país, que já foi símbolo de resistência contra multinacionais. Para os credores, a falência é vista como a única forma de garantir o pagamento, ainda que parcial, dos valores devidos.

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