A crise no clã Bolsonaro ganhou novo capítulo nesta semana com a declaração pública de apoio da vereadora Priscila Costa (PL-DF) ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A parlamentar, que até então era uma das principais aliadas de Michelle Bolsonaro e esteve no centro das tensões entre a ex-primeira-dama e o filho do ex-presidente, publicou uma foto ao lado de Flávio nas redes sociais e defendeu “fidelidade e compromisso” com a legenda. O gesto ocorre em meio a um racha público que expõe disputas por palanques estaduais e pelo eleitorado feminino, ameaçando a unidade do PL nas eleições de 2026.
A vereadora Priscila Costa foi apontada como pivô da crise que levou Michelle Bolsonaro a cogitar deixar o PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023. A ex-primeira-dama teria se sentido isolada após aliados de Flávio tentarem controlar sua atuação política no Distrito Federal, onde Priscila Costa é uma das lideranças locais. A foto publicada pela vereadora com Flávio, acompanhada da legenda “fidelidade e compromisso com o partido e com o senador”, foi interpretada como uma tentativa de apaziguar as tensões, mas também como um sinal de que o grupo de Flávio busca consolidar sua influência sobre o PL.
Disputa por palanques e eleitorado feminino
O racha entre Michelle e Flávio Bolsonaro tem raízes na indefinição sobre a candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal. Enquanto a ex-primeira-dama articula sua pré-candidatura com apoio de setores evangélicos e femininos, Flávio e aliados defendem que ela dispute uma vaga na Câmara dos Deputados ou aguarde 2028. A crise se agravou após a saída de Michelle do PL Mulher, vista como alívio por aliados de Flávio, que temiam que ela concentrasse poder e desviasse votos de candidatos apoiados pelo senador.
A declaração de apoio de Priscila Costa a Flávio ocorre em um momento em que o PL tenta conter o desgaste público da família. Nos bastidores, aliados de Michelle afirmam que a vereadora foi pressionada a se posicionar, enquanto o entorno de Flávio nega qualquer interferência. O episódio expõe a fragilidade da unidade partidária e a disputa pelo eleitorado feminino, que Michelle vinha conquistando com discurso de empoderamento e pautas conservadoras.
Panorama político e impactos na campanha
A crise no clã Bolsonaro ocorre em um cenário de indefinição sobre a candidatura de Michelle ao Senado e de disputas por palanques estaduais. Enquanto Flávio busca consolidar sua liderança no PL, Michelle tenta manter sua base de apoio entre mulheres e evangélicos, grupos estratégicos para as eleições de 2026. A vereadora Priscila Costa, que já foi cotada para ser vice de Michelle em uma eventual chapa ao Senado, agora sinaliza alinhamento com Flávio, o que pode enfraquecer a pré-campanha da ex-primeira-dama.
Analistas políticos apontam que o racha familiar pode beneficiar adversários, como o PT e o PSDB, que miram o eleitorado conservador insatisfeito com a divisão. Enquanto isso, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tenta mediar o conflito, mas evita tomar partido publicamente. A indefinição sobre o futuro político de Michelle e a falta de unidade no clã Bolsonaro são vistas como um risco para a estratégia do partido de capitalizar o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue inelegível até 2030.
Fonte: ver noticia original

