A influenciadora digital Maysa, conhecida por seus conteúdos voltados ao público adolescente, tornou-se alvo de uma enxurrada de críticas nas redes sociais após publicar um vídeo no estilo ‘arrume-se comigo’ em que se preparava para o enterro de sua avó. A repercussão negativa foi imediata, levando a jovem a gravar um novo vídeo, também no TikTok, para se pronunciar publicamente sobre o ocorrido e tentar conter os ataques que recebeu.
No vídeo original, que já não está mais disponível em seu perfil, Maysa mostrava passo a passo a escolha da roupa preta, a maquiagem discreta e o penteado que usaria para se despedir da avó. A publicação foi interpretada por grande parte dos seguidores como uma tentativa de transformar um momento de luto em conteúdo para engajamento, gerando acusações de falta de respeito e sensibilidade. Comentários como ‘isso é desrespeitoso’ e ‘nem no enterro você consegue parar de gravar’ se multiplicaram, forçando a influenciadora a se explicar.
Em sua defesa, Maysa afirmou que o vídeo não foi pensado como uma forma de banalizar a dor, mas sim como um registro pessoal de um momento difícil. Ela explicou que o ‘arrume-se comigo’ era uma forma de lidar com a ansiedade e a tristeza, e que não esperava que a publicação fosse recebida de forma tão negativa. ‘Eu só queria compartilhar como estava me sentindo, não imaginava que iria magoar tanta gente’, disse a jovem, visivelmente abalada, em seu novo pronunciamento.
O episódio reacende o debate sobre os limites da exposição nas redes sociais, especialmente entre influenciadores jovens que cresceram compartilhando cada aspecto de suas vidas. Especialistas em comportamento digital apontam que a linha entre o que é público e o que deveria permanecer privado tem se tornado cada vez mais tênue, e que momentos de luto e perda são particularmente sensíveis. A pressão por conteúdo constante, alimentada por algoritmos que recompensam a frequência de postagens, pode levar criadores a tomar decisões questionáveis do ponto de vista ético e emocional.
Enquanto isso, a polêmica em torno de Maysa também levanta questões sobre a responsabilidade das plataformas e da audiência. Críticos argumentam que, embora a influenciadora tenha errado ao publicar o vídeo, os ataques pessoais e o linchamento virtual que se seguiram são desproporcionais e podem causar danos psicológicos graves a uma adolescente. ‘Há uma diferença entre criticar um comportamento e destruir uma pessoa. Precisamos ter mais empatia, mesmo quando discordamos’, ponderou uma seguidora em um dos comentários mais curtidos do novo vídeo.
O caso de Maysa não é isolado. Nos últimos anos, outros influenciadores já foram criticados por transformar situações de luto, doenças ou tragédias pessoais em conteúdo para as redes. A discussão, portanto, vai além de uma simples polêmica: ela reflete uma transformação profunda na forma como a sociedade lida com a dor, a privacidade e a busca por validação em um mundo cada vez mais digitalizado.
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