Justiça de Alagoas retira JHC de processo movido por Renan Calheiros que apura aportes do Maceió Previdência no Master

A Justiça de Alagoas determinou a retirada do prefeito de Maceió, JHC, do processo movido pelo senador Renan Calheiros que apura aportes do fundo municipal Maceió Previdência no Banco Master. A decisão, proferida pelo juiz da 17ª Vara Cível da Capital, atendeu a um pedido da defesa do prefeito, que alegava falta de provas de envolvimento direto nas transações investigadas. O caso, que envolve cifras milionárias e acirra a disputa política entre as lideranças locais, segue em tramitação com foco nas responsabilidades administrativas e financeiras do fundo previdenciário.

A ação original, protocolada por Renan Calheiros em setembro de 2024, questiona a legalidade dos aportes realizados pelo Maceió Previdência ao Banco Master, instituição financeira que enfrenta investigações por supostas irregularidades. O senador, que é um dos principais opositores de JHC no estado, argumentou que os repasses, que somam cerca de R$ 200 milhões, teriam sido feitos sem a devida transparência e poderiam configurar prejuízo ao erário municipal. A decisão de excluir o prefeito do processo, no entanto, não invalida a apuração contra outros envolvidos, como gestores do fundo e dirigentes do banco.

Panorama político e jurídico

A exclusão de JHC ocorre em meio a um cenário de intensa polarização em Alagoas, onde as eleições de 2026 já começam a moldar alianças e rivalidades. O prefeito de Maceió, que busca a reeleição, tem sido alvo de críticas de setores da oposição, que o acusam de usar a máquina pública para favorecer aliados. Por outro lado, Renan Calheiros, que lidera a oposição no estado, vê no processo uma oportunidade de desgastar a imagem do adversário. A decisão judicial, no entanto, pode ser interpretada como um revés para o senador, que agora terá que focar suas investigações em outros agentes.

O caso também levanta questões sobre a governança do Maceió Previdência, que administra recursos de milhares de servidores municipais. Especialistas apontam que a falta de clareza nos critérios de investimento do fundo pode gerar riscos para a sustentabilidade financeira do sistema previdenciário local. Enquanto isso, a Justiça Eleitoral já havia se manifestado em situações similares, como na remoção de vídeos e postagens que associavam Renan Filho à campanha de JHC, evidenciando a judicialização da política em Alagoas.

O processo segue sob sigilo, mas fontes ligadas à investigação indicam que novas testemunhas serão ouvidas nos próximos meses. A defesa de JHC comemorou a decisão, classificando-a como “um passo para a verdade”. Já a assessoria de Renan Calheiros afirmou que respeita a Justiça, mas que continuará acompanhando o caso para garantir a apuração completa dos fatos. O desfecho do processo pode ter implicações diretas nas eleições de 2026, quando os dois lados devem disputar o controle político do estado.

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