Desde o início da Copa do Mundo, o tetracampeão Romário tem sido alvo de críticas pela dupla jornada que acumula: senador da República e comentarista na CazéTV. Pressionado, declarou na terça-feira (30) que abriria mão dos R$ 46 mil de salário no período, em meio a questionamentos sobre a dedicação ao mandato parlamentar durante o evento esportivo.
A polêmica expõe um debate mais amplo sobre a compatibilidade entre o exercício de cargos públicos e atividades externas, especialmente quando estas geram visibilidade e renda adicionais. No plenário do Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), saiu em defesa do colega: disse que Romário “honra o nosso Senado” e que as críticas são apenas “ataques infundados nas redes sociais”. A manifestação de Alcolumbre reflete a postura de parte da classe política em blindar pares de questionamentos sobre conduta, mas não elimina as dúvidas sobre a prioridade dada ao mandato.
Impacto no cenário político e na percepção pública
A situação de Romário reacende o debate sobre a chamada “dupla jornada” de parlamentares que conciliam mandatos com atividades profissionais paralelas, especialmente em períodos de grande exposição midiática. Enquanto a CazéTV ganha audiência com a participação do ex-jogador, o Senado enfrenta críticas sobre a efetividade de seus membros durante o recesso ou em momentos de baixa atividade legislativa. A decisão de devolver o salário, embora simbólica, não resolve a questão central: a percepção de que o mandato de meio período pode comprometer a representação dos interesses da população.
O episódio também ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre a atuação de figuras públicas que transitam entre esportes, entretenimento e política. Romário, eleito senador pelo Rio de Janeiro, já havia enfrentado questionamentos semelhantes em outras ocasiões, mas a Copa do Mundo amplifica a visibilidade e a pressão por transparência. Enquanto isso, o presidente do Senado busca minimizar o desgaste, mas o caso já alimenta discussões nas redes sociais e na imprensa sobre os limites entre vida pública e privada de parlamentares.
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