PF deflagra operação contra desvio de mais de R$ 9 milhões na Universidade Federal Fluminense

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (26), uma operação contra desvios de mais de R$ 9 milhões na Universidade Federal Fluminense (UFF). A investigação apura fraudes em contratos e licitações envolvendo servidores públicos e empresas privadas, com indícios de superfaturamento e direcionamento de processos licitatórios. Os recursos desviados, originalmente destinados a obras e serviços na instituição de ensino, teriam sido desviados para contas de particulares e empresas de fachada.

De acordo com a PF, os crimes ocorreram entre 2019 e 2023, período em que contratos de manutenção predial, aquisição de equipamentos e prestação de serviços teriam sido fraudados. As investigações apontam que servidores da UFF atuavam em conluio com empresários para superfaturar contratos e desviar recursos públicos. O valor total desviado ultrapassa R$ 9 milhões, conforme levantamento preliminar da corporação.

Operação cumpre mandados em três estados

A operação, batizada de “Desvio Fluminense”, cumpre 12 mandados de busca e apreensão em endereços nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Vara Federal de Niterói. Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados, no montante de R$ 9,2 milhões, para garantir o ressarcimento aos cofres públicos.

Os alvos incluem servidores da UFF, empresários e representantes de empresas contratadas pela universidade. A PF não descarta a participação de outros agentes públicos e privados no esquema. As investigações continuam em sigilo, mas a corporação já identificou indícios de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Panorama político e impacto institucional

O caso ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre o uso de recursos públicos em instituições federais de ensino. Nos últimos anos, a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Ministério Público Federal (MPF) têm intensificado a fiscalização de contratos e licitações em universidades, que movimentam bilhões de reais anualmente. A UFF, uma das maiores universidades do país, com mais de 60 mil alunos, enfrenta agora o desafio de restaurar a confiança na gestão de seus recursos.

O desvio de R$ 9 milhões representa um prejuízo significativo para a instituição, que já sofre com cortes orçamentários e atrasos em obras. A operação da PF reforça a necessidade de transparência e controle interno nas universidades públicas, especialmente em um momento de debate sobre a autonomia financeira dessas instituições. A UFF informou, por meio de nota, que colabora com as investigações e instaurou uma sindicância interna para apurar os fatos.

Para especialistas em direito administrativo, o caso evidencia fragilidades nos mecanismos de controle de licitações, que ainda são alvo de fraudes recorrentes. “A operação da PF é um alerta para a necessidade de modernização dos processos de compras públicas, com uso de tecnologia e auditoria independente”, avalia o advogado Carlos Mendes, especialista em direito público. A sociedade civil e os órgãos de controle acompanham de perto o desdobramento das investigações, que podem resultar em novas denúncias e responsabilizações.

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