PF investiga desvio de R$ 90 milhões em emendas Pix em Roraima e cumpre mandados em quatro estados

A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (26), uma operação para investigar irregularidades na execução de emendas Pix em Roraima, com suspeitas de desvio de aproximadamente R$ 90 milhões. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em quatro estados — Roraima, Amazonas, São Paulo e Distrito Federal —, mirando esquemas que envolvem falta de transparência e possível desvio de recursos públicos federais destinados a ações de saúde e infraestrutura no estado.

As investigações, conduzidas pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), apontam que as emendas Pix — modalidade de transferência direta de recursos federais para estados e municípios, sem necessidade de convênio ou contrato específico — teriam sido utilizadas de forma irregular. Os valores, repassados entre 2020 e 2024, foram destinados a prefeituras e organizações não governamentais (ONGs) em Roraima, mas parte significativa dos recursos não teria sido aplicada conforme as finalidades previstas, gerando suspeitas de desvio e enriquecimento ilícito.

Detalhes da operação e impacto

Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Federal Criminal de Boa Vista e cumpridos em endereços ligados a prefeitos, ex-prefeitos, secretários municipais e dirigentes de ONGs. A operação, que não teve nome divulgado até o momento, mobilizou cerca de 60 policiais federais. Entre os alvos estão municípios como Boa Vista, Rorainópolis e Caracaraí, além de entidades privadas que receberam os repasses. A PF informou que as investigações continuam e que novas fases podem ocorrer, dependendo da análise do material apreendido.

O caso ganha relevância no cenário nacional por envolver as emendas Pix, mecanismo criado em 2019 e que tem sido alvo de críticas por sua baixa transparência e controle. Em Roraima, estado com histórico de fragilidade fiscal e dependência de repasses federais, o desvio de R$ 90 milhões representa um impacto significativo para a população, que depende de serviços públicos como saúde e infraestrutura. A CGU já havia apontado, em relatórios anteriores, indícios de irregularidades na aplicação desses recursos em outros estados, mas esta é uma das maiores operações já realizadas sobre o tema.

Panorama político e reações

A operação ocorre em meio a um contexto de crescente escrutínio sobre as emendas Pix, que têm sido usadas por parlamentares como instrumento de barganha política. Em Roraima, o esquema investigado envolve tanto agentes públicos locais quanto federais, embora a PF não tenha confirmado a participação de deputados ou senadores. A suspeita é de que os recursos tenham sido desviados por meio de contratos fictícios com ONGs e superfaturamento de obras, com a conivência de prefeituras.

O governo federal, por meio do Ministério da Justiça, afirmou que acompanha as investigações e que a operação reforça o compromisso com a transparência e o combate à corrupção. Já a Associação dos Municípios de Roraima emitiu nota dizendo que aguarda os desdobramentos e que colaborará com as autoridades. A PF destacou que, até o momento, não há mandados de prisão expedidos, mas que as provas coletadas podem levar a novas medidas judiciais.

O caso também reacende o debate sobre a necessidade de maior controle sobre as emendas Pix, que, por sua natureza, permitem repasses diretos sem a necessidade de projetos detalhados. Especialistas em direito público apontam que a falta de transparência facilita desvios, como os agora investigados em Roraima. A operação deve servir de alerta para outros estados e municípios que utilizam o mecanismo, especialmente em regiões com menor capacidade de fiscalização.

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