Tenente da Rota baleado na cabeça segue estável na UTI; ataque expõe escalada de violência contra policiais em São Paulo

O tenente da Rota baleado na cabeça na última quinta-feira (25) em São Caetano do Sul, irmão de Eloá Pimentel, vítima do sequestro de 2008, segue internado em estado estável na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital das Clínicas, em São Paulo. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o policial militar permanece intubado e sob cuidados intensivos, mas não apresentou novas complicações até a manhã deste sábado (27). O ataque, ocorrido enquanto o tenente estava à paisana em um semáforo, gerou comoção e reacendeu o debate sobre a segurança dos agentes de segurança no estado.

O crime aconteceu por volta das 19h30, quando o tenente, que não teve o nome divulgado pela corporação, estava em seu veículo particular no cruzamento das avenidas Goiás e Presidente Kennedy, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Dois homens em uma moto se aproximaram e efetuaram disparos, atingindo a cabeça do policial. Ele foi socorrido por populares e levado ao pronto-socorro municipal, sendo posteriormente transferido para o Hospital das Clínicas, onde passou por cirurgia e permanece em observação.

Investigação aponta vínculo com o PCC

As investigações conduzidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) indicam que o atentado pode ter sido encomendado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo fontes da polícia, o tenente da Rota era alvo de ameaças devido à sua atuação em operações contra o crime organizado na região metropolitana de São Paulo. A suspeita é de que a facção criminosa tenha ordenado o ataque como retaliação a ações recentes da Rota, que resultaram na prisão de membros do PCC e na apreensão de armas e drogas.

Até o momento, três suspeitos foram presos em flagrante, todos com passagens pela polícia por roubo e tráfico de drogas. A polícia apreendeu a moto usada no crime e uma pistola calibre 9mm, que será periciada para verificar se foi a mesma utilizada no atentado. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que o ataque tenha sido planejado por uma célula do PCC que atua no ABC Paulista, região que concentra um dos maiores índices de homicídios de policiais no estado.

Panorama político e social

O caso ocorre em meio a um aumento de 12% nos ataques a policiais militares em São Paulo no primeiro semestre de 2025, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Especialistas apontam que a escalada de violência contra agentes de segurança está diretamente ligada à disputa territorial entre facções criminosas e à atuação de grupos de extermínio. O atentado contra o tenente da Rota, irmão de Eloá Pimentel — cujo sequestro e morte em 2008 chocaram o país —, trouxe à tona a fragilidade da proteção a policiais mesmo fora do serviço.

O governador de São Paulo classificou o ataque como “um atentado contra o estado democrático de direito” e anunciou a criação de um comitê de crise para reforçar a segurança de policiais militares em situação de vulnerabilidade. A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) também instalou uma comissão especial para investigar a atuação do PCC no estado, com foco em crimes contra agentes de segurança. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) manifestou solidariedade à família do tenente e cobrou celeridade nas investigações.

Enquanto o tenente segue na UTI, a polícia mantém sigilo sobre seu estado de saúde para evitar que a facção criminosa obtenha informações que possam colocar em risco a segurança do hospital. A Secretaria de Segurança Pública informou que o policial está sendo monitorado por uma equipe de inteligência e que novas prisões não estão descartadas. O caso, que já mobiliza as forças de segurança do estado, promete ter desdobramentos nos próximos dias, com a expectativa de que o tenente seja transferido para um local seguro após a alta hospitalar.

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