A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (3) a Operação Exchange, que desarticulou uma rede transnacional de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação aponta que a organização chefiada pelo empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, alvo de sanções dos Estados Unidos e atualmente foragido, mantinha operações financeiras em ao menos sete países para ocultar recursos do tráfico de drogas. Mais de 70 empresas aparecem vinculadas ao esquema, que teria movimentado até R$ 10,4 bilhões.
Segundo a decisão judicial que autorizou as prisões e buscas, Shimada utilizava o apelido “Bryan Willians” em grupos de WhatsApp usados para controlar movimentações financeiras. Em uma das conversas analisadas pela PF, ele compartilhou uma planilha contendo registros de datas, cidades, valores movimentados, taxas de câmbio e saldos. O documento reúne operações que somavam US$ 7,54 milhões, distribuídas por grandes cidades dos Estados Unidos, como Houston, Chicago, Denver, Atlanta, Cleveland, Nashville, Memphis e Los Angeles, entre outras. Para a PF, os registros são indícios do recolhimento sistemático de dinheiro em espécie e da utilização de estruturas financeiras para ocultar a origem dos recursos.
Atuação em múltiplos países
A investigação também identificou indícios de atuação do grupo em outros países. Além de Brasil e Estados Unidos, aparecem referências a movimentações em Portugal, Paraguai, Argentina, Panamá e Colômbia. Em uma conversa, Ygor Fokin Saviolli, apontado como um dos responsáveis da organização, relatou ter participado de uma reunião na Colômbia envolvendo oportunidades de recolhimento de milhões de dólares em cidades americanas.
Em outro trecho da decisão, a Polícia Federal afirma haver fortes indícios de que Shimada atuava como “doleiro”, intermediando transações em diferentes países e organizando a entrega e o recebimento de dinheiro em espécie por meio de pessoas de sua confiança. Entre os auxiliares citados pela investigação estão o tio Amauri Henrique de Oliveira, a prima Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa nesta sexta-feira (3), e o operador financeiro Carlos Henrique Costa Almeida.
A PF também relata que Stella participava da coordenação de operações internacionais. Conversas atribuídas a ela mencionam planilhas com movimentações referentes a “EUA, Portugal e outros”, além de remessas identificadas pelo codinome “Lisboa“. Os investigadores afirmam que ela atuava na gestão financeira e na coordenação de entregas de valores no exterior. Em Portugal, a investigação aponta que Carlos Henrique Costa Almeida recebia e custodiava valores.
A operação desta sexta-feira reforça a crescente cooperação entre as autoridades brasileiras e norte-americanas no combate à lavagem de dinheiro do crime organizado. As sanções dos EUA contra Shimada e outros investigados, anunciadas em março, aceleraram as investigações da PF, que já monitorava o grupo há meses. O caso também se insere em um contexto mais amplo de investigações sobre o financiamento do PCC, que utiliza empresas de fachada e doleiros para movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas em escala internacional.
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