Cabo da PM é morta a tiros em Salvador; marido, também policial militar, é o principal suspeito de feminicídio

A cabo da Polícia Militar Celeste Martins Oliveira do Nascimento foi morta a tiros na tarde de sexta-feira (3), dentro do apartamento onde morava com o marido, no bairro do Barbalho, em Salvador. O principal suspeito do crime é o companheiro dela, o cabo Hermano, também integrante da corporação. O caso, classificado como feminicídio pelas autoridades, reacende o debate sobre a violência doméstica no interior das forças de segurança e a necessidade de medidas mais rigorosas de prevenção e responsabilização.

De acordo com informações apuradas pela TV Bahia, o corpo da policial foi encontrado no imóvel localizado no Edifício Mirabeau Sampaio. Equipes da 2ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) foram acionadas para isolar a área e preservar a cena do crime. Policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e peritos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizaram a perícia e fizeram a remoção do corpo. A Polícia Militar informou que o suspeito se apresentou espontaneamente ao DHPP, acompanhado de uma advogada, e permanece à disposição da Justiça.

Vítima e suspeito atuavam na inteligência da PM

Segundo a corporação, Celeste e Hermano atuavam na área de inteligência da Polícia Militar. A policial era lotada na estrutura da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). O fato de ambos integrarem o mesmo setor estratégico levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos internos de monitoramento e acolhimento de denúncias de violência doméstica entre militares. Em nota, a SSP-BA lamentou a morte da cabo e informou que a Polícia Civil e o DPT adotam todas as providências necessárias para esclarecer o caso e responsabilizar o autor do crime. A secretaria também reafirmou o repúdio a toda forma de violência contra a mulher.

A Polícia Militar da Bahia também manifestou pesar pela morte da policial. A corporação confirmou que o militar apontado como autor dos disparos se apresentou ao DHPP acompanhado de advogada e informou que adotará as medidas administrativas cabíveis, paralelamente às investigações conduzidas pelos órgãos competentes. As circunstâncias e a motivação do crime ainda são investigadas pela Polícia Civil.

Panorama político e social

O assassinato de Celeste ocorre em meio a um contexto de alarmante crescimento dos casos de feminicídio no Brasil, especialmente entre mulheres negras e periféricas. A situação ganha contornos ainda mais graves quando envolve agentes de segurança pública, que deveriam ser os primeiros a coibir a violência de gênero. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2025, o número de feminicídios registrados no país superou a marca de 1.400, com aumento de 8% em relação ao ano anterior. Na Bahia, o estado ocupa a terceira posição no ranking nacional de mortes violentas de mulheres, com 245 casos em 2025.

O episódio também expõe a fragilidade dos mecanismos de proteção às mulheres dentro das próprias corporações militares. Em 2024, o Ministério Público da Bahia denunciou 12 policiais por violência doméstica, mas apenas três foram afastados das funções. A demora na aplicação de medidas cautelares e a cultura de silêncio nas instituições são apontadas por especialistas como fatores que perpetuam a impunidade. A morte de Celeste reforça a urgência de políticas públicas efetivas, como a criação de ouvidorias independentes e a capacitação de agentes para o atendimento de vítimas de violência doméstica.

Em nota oficial, a SSP-BA declarou: “A Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) manifesta profundo pesar pelo falecimento da cabo da PM Celeste Martins Oliveira do Nascimento, ocorrido na tarde de hoje, em Salvador, vítima de feminicídio, e se solidariza com seus familiares, amigos e colegas de farda. O suspeito, também policial militar, apresentou-se espontaneamente, acompanhado de advogado, ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que está à frente das investigações. Todas as providências necessárias à completa elucidação do trágico fato e à responsabilização do seu autor estão sendo adotadas pela Polícia Civil e pelo Departamento de Polícia Técnica. Por fim, a SSP reafirma seu absoluto repúdio e reafirma o seu compromisso no combate a toda e qualquer forma de violência contra a mulher.”

A Polícia Militar da Bahia também se manifestou: “A Polícia Militar da Bahia informa que tomou conhecimento da ocorrência registrada na tarde desta sexta-feira (3), no bairro do Barbalho, em Salvador, envolvendo a cabo Celeste Martins Oliveira do Nascimento, vítima de feminicídio. O suspeito, também policial militar, apresentou-se espontaneamente ao DHPP, acompanhado de advogado. A corporação adotará as medidas administrativas cabíveis, paralelamente às investigações conduzidas pelos órgãos competentes. A PMBA manifesta seu mais profundo pesar e solidariedade à família e aos amigos da policial.”

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca esclarecer as circunstâncias e a motivação do crime. Enquanto isso, a sociedade civil e organizações de defesa dos direitos das mulheres pressionam por respostas rápidas e punições exemplares, na esperança de que a morte de Celeste não seja apenas mais uma estatística, mas um catalisador para mudanças estruturais no combate à violência de gênero no Brasil.

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