A parcela de brasileiros que defende que adolescentes que cometem crimes devem ser punidos como adultos subiu para 70%, segundo dados da nova pesquisa Datafolha divulgada na sexta (3). O levantamento faz parte do eixo de comportamento da matriz ideológica do instituto e aponta um crescimento no endurecimento da opinião pública: em 2022, esse índice era de 65%.
Em contrapartida, o apoio à reeducação dos menores infratores recuou de 34% (em 2022) para 27% (em 2026). Outros 3% dos entrevistados não souberam responder. A pesquisa foi realizada presencialmente com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros, nos dias 17 e 18 de junho. O nível de confiança é de 95%, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
O que diz a lei
Embora a pesquisa utilize o termo “crimes” na pergunta feita aos eleitores, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que condutas ilícitas praticadas por menores de 18 anos são classificadas juridicamente como atos infracionais. A distinção legal, no entanto, não impede o debate público sobre o endurecimento das penas para adolescentes infratores, tema que ganhou força no cenário político nacional.
Recorte por religião e intenção de voto
O levantamento detalhou a opinião dos entrevistados de acordo com o perfil religioso e a preferência política para a eleição presidencial. Entre os evangélicos, 75% defendem punição como adulto, enquanto 24% optam pela reeducação. Já entre os católicos, 72% são favoráveis à punição como adulto, e 25% preferem a reeducação. Por intenção de voto, os eleitores de Flávio Bolsonaro lideram o endurecimento: 81% apoiam a punição como adulto, contra 17% que preferem a reeducação. Entre os eleitores de Lula, 61% defendem a punição como adulto, e 37% optam pela reeducação. O recorte revela uma polarização política no tema, com a base bolsonarista mais inclinada ao endurecimento e a base lulista mais dividida, mas ainda majoritariamente favorável à punição.
Rejeição à liberação das drogas segue estável
O Datafolha também questionou os eleitores sobre a proibição de entorpecentes no país. A ampla maioria dos brasileiros se posicionou de forma contrária à descriminalização: 85% concordam com a frase “o uso de drogas deve ser proibido porque toda a sociedade sofre com as consequências”. Apenas 13% concordam com a alternativa oposta: “o uso de drogas não deve ser proibido, porque é o usuário que sofre com as consequências”. Outros 2% não souberam responder. Na pesquisa anterior, de 2022, os percentuais eram de 83% e 15%, respectivamente. O Datafolha aponta que a variação ficou dentro da margem de erro, o que configura estabilidade e mantém o tema em patamar consolidado no país.
O panorama político geral indica que o endurecimento da opinião pública sobre segurança pública e punição de menores infratores reflete um movimento mais amplo da sociedade brasileira, que também se manifesta em outras pesquisas do instituto, como a que aponta 44% dos eleitores identificados com a direita e 39% com a esquerda. O debate sobre a redução da maioridade penal e a eficácia do ECA deve ganhar ainda mais relevância nas eleições de 2026, especialmente entre candidatos que buscam capitalizar o sentimento de insegurança da população.
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