Uma mulher de 27 anos foi presa suspeita de matar um homem de 28 anos a facadas na madrugada deste sábado (4), em uma casa no centro de Monte Castelo (SP). Após passar por audiência de custódia, a Justiça concedeu a liberdade a ela. O caso, registrado na Delegacia de Polícia Civil local, expõe as complexidades da violência doméstica e os desafios na aplicação de medidas protetivas.
Segundo a Polícia Civil, a suspeita informou, durante interrogatório, que possui medida protetiva de urgência contra o homem e que já houve registros anteriores de ocorrências. A medida protetiva, prevista na Lei Maria da Penha, é um instrumento legal para proteger vítimas de violência doméstica, mas sua eficácia tem sido questionada em casos como este, onde a suposta vítima se torna autora de um crime.
Investigação em andamento
A polícia fez o pedido de exame necroscópico na vítima, exame de corpo de delito na investigada e perícia no local, cujos laudos ajudarão na investigação, que segue em andamento. Segundo a polícia, serão realizadas novas diligências, ouvidas eventuais testemunhas e aguardados os laudos periciais para o completo esclarecimento das circunstâncias, da dinâmica e da autoria do crime. Um inquérito policial foi instaurado e prosseguirá na Delegacia de Polícia Civil de Monte Castelo.
O caso ocorre em um contexto de aumento de registros de violência doméstica no interior paulista, conforme dados da Secretaria de Segurança Pública. Em 2025, a região de Presidente Prudente registrou mais de 1.200 ocorrências de lesão corporal dolosa no âmbito doméstico, um aumento de 8% em relação ao ano anterior. A situação levanta debates sobre a necessidade de políticas públicas mais efetivas para prevenir a escalada de violência e proteger todas as partes envolvidas.
Especialistas apontam que a concessão de liberdade após a audiência de custódia, neste caso, pode refletir a análise das circunstâncias específicas, como a existência de medida protetiva e o histórico de violência. No entanto, o episódio reforça a urgência de um sistema de justiça mais ágil e integrado, que evite que vítimas de violência se tornem agressoras por falta de proteção adequada.
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