Feminicídio em Alagoas: mulher morre após ter 63% do corpo queimado pelo ex-companheiro em Maceió

Ana Paula Oliveira da Silva, de 43 anos, morreu neste sábado (4) após permanecer internada por pouco mais de uma semana no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, vítima de um ataque brutal cometido pelo ex-companheiro, que ateou fogo em seu corpo por ciúmes. O crime, ocorrido no bairro do Benedito Bentes, resultou em queimaduras em 63% do corpo da vítima, que não resistiu às lesões. A morte de Ana Paula eleva para 12 o número de feminicídios registrados em Alagoas em 2025, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, e expõe as fragilidades do sistema de proteção às mulheres no estado.

O ataque ocorreu no dia 27 de março, quando o ex-companheiro de Ana Paula, identificado como José Carlos dos Santos, de 47 anos, invadiu a residência da vítima e jogou álcool sobre seu corpo antes de atear fogo. Vizinhos ouviram os gritos e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que a encaminhou ao HGE em estado grave. José Carlos fugiu após o crime, mas foi preso em flagrante no dia seguinte, em uma operação conjunta da Polícia Civil e da Polícia Militar. Ele permanece detido no Presídio de Segurança Máxima de Alagoas, à disposição da Justiça.

Panorama da violência doméstica em Alagoas

O caso de Ana Paula é mais um capítulo trágico na escalada da violência contra a mulher em Alagoas. Dados da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos indicam que, em 2024, foram registrados 24 feminicídios no estado, número que já preocupa autoridades em 2025, com 12 mortes confirmadas até abril. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Maceió informou que Ana Paula não possuía medida protetiva contra o ex-companheiro, embora houvesse registros anteriores de ameaças na delegacia comum. A falta de integração entre os sistemas de segurança e a demora na concessão de medidas protetivas são apontadas por especialistas como fatores que contribuem para a reincidência de agressões fatais.

O crime também reacende o debate sobre a eficácia da Lei Maria da Penha em Alagoas. Segundo a Defensoria Pública do Estado, cerca de 40% dos feminicídios ocorrem mesmo após denúncias anteriores, o que sugere falhas na aplicação de medidas cautelares e na fiscalização do cumprimento de ordens de afastamento. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Alagoas manifestou solidariedade à família de Ana Paula e cobrou do Governo do Estado a ampliação de programas de monitoramento eletrônico para agressores, como o Programa Mulher Protegida, que atualmente atende apenas 200 mulheres em todo o estado.

Impacto social e reações

A morte de Ana Paula gerou comoção em Maceió e levou a Prefeitura Municipal a decretar luto oficial de três dias. A Câmara Municipal de Maceió aprovou moção de repúdio ao ataque e convocou audiência pública para discutir políticas de prevenção à violência doméstica. O Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Segurança Pública, anunciou a criação de um grupo de trabalho para revisar os protocolos de atendimento a vítimas de violência, com foco na agilidade das medidas protetivas e na capacitação de agentes da Polícia Civil e da Polícia Militar.

Organizações de defesa dos direitos das mulheres, como o Instituto Maria da Penha e a Rede de Mulheres de Alagoas, realizaram protestos em frente ao Palácio do Governo e à Assembleia Legislativa, exigindo ações concretas. A Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Mulheres na Assembleia Legislativa de Alagoas protocolou um projeto de lei que prevê a instalação de botões de pânico em residências de vítimas com medidas protetivas, além da ampliação do número de delegacias especializadas no interior do estado.

O caso de Ana Paula Oliveira da Silva se soma a outras tragédias recentes em Maceió, como o feminicídio de uma mulher com 63% do corpo queimado pelo ex-companheiro, amplamente noticiado pelo portal República do Povo. A repetição de crimes com o mesmo modus operandi evidencia a urgência de uma resposta coordenada entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para frear a violência de gênero em Alagoas.

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