A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato é a mais sensível ao comportamento da inflação e do desemprego entre todos os presidentes da República nos últimos 30 anos, segundo análise de dados históricos divulgada nesta segunda-feira (7). O estudo, que cruza índices econômicos com pesquisas de opinião, revela que a popularidade do atual chefe do Executivo oscila de forma mais intensa e imediata diante de variações nesses dois indicadores do que ocorreu com seus antecessores desde o governo Fernando Henrique Cardoso.
O levantamento, realizado pelo Datafolha em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia da FGV, mostra que a cada aumento de 1 ponto percentual na inflação acumulada em 12 meses, a aprovação de Lula cai, em média, 2,3 pontos percentuais. No caso do desemprego, a cada alta de 0,5 ponto na taxa, a queda na popularidade é de 1,8 ponto. Esses coeficientes são os mais elevados desde 1996, superando os registrados nos governos de Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Panorama político e econômico
O cenário atual combina uma inflação anual que ultrapassa os 6,5% — pressionada por alimentos e combustíveis — com uma taxa de desemprego de 8,2%, ainda elevada para os padrões históricos. Especialistas apontam que a maior sensibilidade do eleitorado pode estar ligada à memória recente de estabilidade econômica e à promessa de campanha de Lula de retomar o crescimento com inclusão social. “A população está mais atenta aos números da economia e reage de forma mais rápida nas pesquisas de opinião”, afirma o economista Carlos Alberto Sardenberg, da FGV.
Para o cientista político Antônio Lavareda, a alta correlação entre aprovação e indicadores econômicos reflete um eleitorado mais pragmático e menos ideológico. “O brasileiro médio está avaliando o governo pelo bolso e pela fila do emprego. Isso torna a gestão econômica ainda mais central para a sobrevivência política do presidente”, explica Lavareda. A oposição, por sua vez, já utiliza os dados para criticar a condução da política econômica, enquanto a base aliada defende que os efeitos das medidas de estímulo ainda não se materializaram completamente.
O estudo também aponta que a aprovação de Lula é mais volátil em regiões metropolitanas e entre eleitores com renda de até dois salários mínimos, justamente os mais impactados pela inflação de alimentos e pela informalidade no mercado de trabalho. A pesquisa completa pode ser acessada no site do Datafolha e foi divulgada na noite de 7 de abril de 2026.
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