Morte de Ciclista em Passo Fundo Completa Um Mês: Testemunhas Reforçam Responsabilidade de Pedestres em Ciclofaixa, Aponta Polícia

Há exatamente um mês, na tarde de 4 de junho, o ciclista Cleocir Jorge dos Santos, de 54 anos, morreu após ser atropelado por um carro em Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul, enquanto trafegava em uma ciclofaixa na Avenida Brasil Oeste, no bairro Boqueirão. Segundo a Polícia Civil, ele se desequilibrou ao colidir com duas mulheres que estavam paradas no espaço destinado às bicicletas para tirar fotos, caiu na pista de rolamento e foi atingido por um automóvel. O caso, que completa um mês neste sábado (5), segue sob investigação e reacende o debate sobre a segurança de ciclistas e a responsabilidade de pedestres em áreas exclusivas para bicicletas.

A delegada Daniela Mineto, responsável pelo inquérito, informou que as duas mulheres são investigadas por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). Em entrevista, ela destacou que as testemunhas ouvidas nas últimas semanas reforçam a tese de que as pedestres agiram de forma inadequada. “Os relatos apenas corroboram a responsabilidade das mulheres na ação que vitimou Cleocir”, afirmou a delegada, que aguarda os laudos das perícias para concluir o inquérito. As identidades das suspeitas não foram reveladas, mas a polícia confirmou que são moradoras de Carazinho, cidade vizinha a Passo Fundo.

Contexto do acidente e investigação

Imagens do acidente, obtidas pela polícia, mostram o momento em que o ciclista colide com as duas mulheres, que estavam na ciclofaixa tirando fotos para redes sociais. A delegada Daniela Mineto já havia ressaltado anteriormente que a ciclofaixa não é um espaço para circulação de pessoas. “Essas mulheres agiram de forma totalmente inadequada em cima da ciclofaixa, causando então a queda desse ciclista”, disse. O caso gerou comoção na cidade e mobilizou familiares da vítima, que relataram que Cleocir já havia alertado sobre os riscos na via. “Ele sempre comentou que tinha problemas com pedestres na ciclovia. Um dia quase caiu, no outro quase atropelou. Era uma constante”, afirmou o sobrinho Rafael Iarchescki.

Panorama da infraestrutura cicloviária em Passo Fundo

O município de Passo Fundo conta com mais de 37 km de malha cicloviária, distribuídos entre avenidas e parques. Em trechos mais recentes, há separação entre ciclofaixa e caminhódromo, permitindo o uso distinto por ciclistas e pedestres. No entanto, em áreas mais antigas, a divisão nem sempre existe ou é bem definida, o que aumenta o risco de acidentes. A sinalização, em muitos pontos, tenta orientar os usuários, com placas que indicam espaços exclusivos ou compartilhados. Segundo a prefeitura, quando não há caminhódromo, o pedestre deve utilizar a calçada. O caso de Cleocir expõe as fragilidades da infraestrutura urbana e a necessidade de maior conscientização sobre o uso adequado dos espaços públicos.

Impacto e repercussão

A morte do ciclista completa um mês em meio a um cenário de crescente debate sobre segurança viária e impunidade em acidentes de trânsito. O caso é investigado como homicídio culposo, mas a demora na conclusão do inquérito e a ausência de punições efetivas geram críticas de ativistas e familiares. A situação também reacende a discussão sobre a responsabilidade de pedestres em ciclofaixas, um problema recorrente em cidades brasileiras. Enquanto a polícia aguarda os laudos periciais, a comunidade ciclista de Passo Fundo e de todo o país acompanha o desfecho do caso, que pode estabelecer precedentes para a responsabilização de condutas inadequadas em vias exclusivas para bicicletas.

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