Copa do Mundo de 2026 impulsiona contratações temporárias no Brasil e aquece setores estratégicos

A Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, já movimenta o mercado de trabalho brasileiro mesmo antes do apito final, que ocorre em 19 de julho. O torneio tem impulsionado o consumo de alimentos, bebidas, televisores, artigos esportivos e produtos para confraternizações, levando empresas a reforçarem equipes, especialmente em bares, restaurantes, comércio, logística, turismo e eventos, com foco em contratações temporárias. Dados da Catho, obtidos com exclusividade pelo g1, mostram que, entre abril e junho deste ano, o número de vagas anunciadas em setores tradicionalmente beneficiados pelo torneio cresceu 26% na comparação com o mesmo período de 2025, saltando de 31.910 para 40.217 vagas.

As maiores altas entre os cargos ocorreram para atendente de restaurante (+120%), auxiliar de loja (+38%), auxiliar de produção (+28%) e auxiliar de logística (+16%). Já entre as áreas de atuação, restaurantes registraram crescimento de 47% nas vagas, enquanto logística e suprimentos avançaram 16%. O crescimento foi puxado principalmente por funções operacionais e de atendimento ao público, refletindo a demanda sazonal gerada pelo evento esportivo.

Panorama político e econômico

O aquecimento do mercado de trabalho ocorre em um contexto de recuperação econômica gradual, com o governo federal implementando medidas de estímulo ao emprego e à renda. A Associação Brasileira do Trabalho Temporário (Asserttem) estima cerca de 600 mil contratos temporários entre abril e junho de 2026, e afirma que aproximadamente 20% dos profissionais acabam sendo efetivados pelas empresas. Para Alexandre Leite Lopes, presidente da Asserttem, a competição costuma ampliar a demanda por mão de obra principalmente nos setores de comércio, indústria e serviços. “Quanto mais tempo a Seleção Brasileira permanecer na competição, maior tende a ser o impacto positivo”, destacou.

Os direitos dos trabalhadores temporários são garantidos pela Lei 6.019/74, que assegura remuneração equivalente à dos funcionários efetivos, jornada de trabalho de até 8 horas diárias e 44 horas semanais, horas extras com adicional de 50%, férias proporcionais, 13º salário proporcional, FGTS e seguro-desemprego. A contratação pode durar até 180 dias, prorrogáveis por mais 90, e o trabalhador tem prioridade na efetivação caso a empresa abra vagas permanentes.

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