Selic elevada encarece crédito rotativo e inadimplência atinge maior patamar em 13 anos

A manutenção da Selic em patamar elevado, atualmente em 13,75% ao ano, está tornando o crédito rotativo do cartão de crédito ainda mais caro para os consumidores brasileiros, enquanto a taxa média de inadimplência no país atingiu 4,7% em maio, o maior nível desde 2011, conforme dados divulgados pelo Banco Central. A informação foi destacada pela conselheira do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo), que alerta para os efeitos perversos da política monetária restritiva sobre o endividamento das famílias e a saúde financeira do sistema de crédito.

De acordo com a conselheira do Corecon-SP, a alta da Selic impacta diretamente as taxas de juros cobradas no rotativo, modalidade que já figura entre as mais caras do mercado financeiro. Com a taxa básica em dois dígitos, os bancos repassam o custo mais elevado de captação para os consumidores, elevando o custo efetivo total do crédito. Esse movimento, combinado com a renda estagnada e a inflação ainda pressionada, tem levado mais brasileiros a atrasarem pagamentos, o que explica a escalada da inadimplência para o patamar de 4,7%.

Panorama econômico e impacto social

O cenário reflete um ciclo vicioso: a política de juros altos, adotada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para conter a inflação, acaba por encarecer o crédito e desestimular o consumo, mas também eleva o risco de calote. A inadimplência média de 4,7% em maio supera os registros dos últimos 12 anos, indicando que as famílias estão com dificuldades crescentes para honrar compromissos financeiros, especialmente em um ambiente de desemprego ainda elevado e endividamento recorde.

Especialistas do Corecon-SP apontam que o rotativo do cartão de crédito é a porta de entrada para o endividamento crônico, pois suas taxas anuais podem superar 300% ao ano. Com a Selic alta, mesmo pequenos atrasos se transformam em dívidas impagáveis, empurrando consumidores para o crédito consignado ou para a renegociação com juros igualmente elevados. A conselheira reforça que a situação exige medidas de educação financeira e regulação mais rígida para proteger os tomadores de crédito.

Dados oficiais e reações do mercado

Os números do Banco Central mostram que a inadimplência medida pelo indicador de atrasos acima de 90 dias atingiu 4,7% em maio, ante 4,5% em abril e 4,2% no mesmo período de 2022. O aumento é generalizado entre pessoas físicas e jurídicas, mas o segmento de cartões de crédito e cheque especial concentra as maiores taxas. A conselheira do Corecon-SP destaca que, sem uma mudança na trajetória da Selic, a tendência é de piora nos próximos meses, com impacto direto no consumo e na atividade econômica.

O debate sobre a política monetária ganha contornos políticos, com setores do governo e do Congresso pressionando por uma redução mais rápida dos juros para estimular a economia, enquanto o Banco Central mantém discurso cauteloso, citando riscos inflacionários. A conselheira do Corecon-SP defende que a política de juros precisa considerar não apenas a inflação, mas também seus efeitos colaterais sobre o emprego e o crédito, sob pena de aprofundar a crise social.

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