O terremoto devastador que atingiu a Venezuela em 24 de julho se tornou o maior abalo sísmico registrado no país em mais de um século, com epicentro no município costeiro de La Guaira, a 40 minutos de Caracas, causando o colapso de conjuntos habitacionais, edifícios de classe média e residências de alto padrão, deixando bairros inteiros parcial ou completamente inabitáveis. O impacto do tremor gerou uma crise humanitária de grandes proporções, com equipes internacionais mobilizadas para buscas e resgates, enquanto famílias de vítimas enfrentam a espera angustiante por informações em acampamentos improvisados.
O início do tremor foi registrado em vídeo por um morador do bairro de Playa Grande, em La Guaira, que assistia a uma partida de futebol entre Brasil e Escócia. As imagens gravadas pelo celular mostram o momento em que o apartamento começa a balançar intensamente, seguido pelo transbordamento de uma piscina e pelo desabamento parcial de um edifício vizinho. O prédio de onde o registro foi feito permaneceu de pé, mas foi condenado pelas autoridades. O proprietário do imóvel, que perdeu os bens e não possuía seguro, relatou que tremores de menor intensidade haviam sido sentidos na região duas semanas antes do desastre.
Força-tarefa internacional e buscas por sobreviventes
Para atuar nas buscas e no resgate de vítimas soterradas, uma coalizão internacional mobilizou cerca de 60 equipes de 28 países na região de La Guaira. Os grupos utilizam cães farejadores, sensores de presença e microfones ultrassensíveis capazes de detectar batimentos cardíacos sob os escombros. A missão humanitária brasileira na Venezuela é chefiada pelo capixaba Armin Braun. A equipe concentrou esforços na tentativa de resgate de um jovem chamado Santiago, cuja residência desabou. Após horas de operação, os sinais de vida cessaram e a ação foi encerrada. “Isso é algo que, sim, tocou bastante a equipe, mas a história do Santiago, pra nós, ela vira um motivador, pra nos dar força, nos dar garra pra encontrar outros Santiago aí, buscar, ir até onde a gente puder em busca dessas pessoas”, explica Braun durante os trabalhos de escavação.
Apesar das dificuldades e do avanço dos dias, casos raros de sobrevivência mobilizam as equipes. O vigilante Hernán Gil foi resgatado com vida após passar oito dias soterrado. A operação para retirá-lo dos escombros durou 72 horas e envolveu mais de 100 resgatistas internacionais. Em contrapartida, famílias de vítimas enfrentam a espera por informações em acampamentos improvisados. Moradores de Caracas deslocam-se diariamente até La Guaira em busca de notícias de parentes, como no caso de duas crianças de oito e nove anos que visitavam amigos em um edifício de dez andares que colapsou totalmente e onde, até o momento, nenhum sobrevivente foi encontrado.
O panorama político geral na Venezuela, já marcado por tensões e crise econômica, agrava-se com a tragédia, expondo fragilidades na infraestrutura e na capacidade de resposta do Estado. A mobilização internacional, embora significativa, enfrenta desafios logísticos e burocráticos, enquanto a população local clama por mais ajuda e transparência nas operações de resgate. A tragédia na Venezuela, com terremotos que já mataram 3.342 pessoas, segundo alertas do USGS, e a crise humanitária que se agrava, com a OMS alertando para colapso sanitário e risco de epidemias, evidenciam a necessidade de uma ação coordenada e urgente. O Brasil, que enviou 18 toneladas de medicamentos e militares para ampliar hospital de campanha na Venezuela, reforça seu compromisso com a assistência humanitária, enquanto especialistas explicam os fatores que determinam o tempo de vida após terremotos, destacando a sobrevivência sob escombros como um desafio crítico.
Fonte: ver noticia original

