Motoristas do transporte alternativo bloquearam um trecho da rodovia PE-95, em Caruaru, nesta quarta-feira (26), em protesto contra o início da fiscalização determinada pela Justiça para combater o transporte irregular. A manifestação, que interditou parcialmente a via, reflete a insatisfação da categoria com a medida judicial que ameaça a continuidade de suas atividades.
De acordo com os organizadores, a ação foi motivada pela decisão judicial que autorizou a Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) e a Polícia Rodoviária Estadual a intensificarem as operações de fiscalização no transporte alternativo. Os motoristas alegam que a medida é arbitrária e não considera as dificuldades enfrentadas por eles para se regularizar, como a falta de linhas oficiais e a burocracia excessiva.
O protesto começou por volta das 6h da manhã, quando um grupo de manifestantes utilizou veículos e pneus para bloquear o fluxo na altura do quilômetro 12 da PE-95, próximo ao bairro Nova Caruaru. A Polícia Rodoviária Estadual foi acionada para negociar a liberação da via, mas os motoristas só desobstruíram o trecho após cerca de três horas, quando representantes da categoria foram recebidos pela Prefeitura de Caruaru e pela Secretaria de Mobilidade Urbana.
Panorama político e judicial
A decisão judicial que motivou o protesto faz parte de um esforço mais amplo do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) para coibir o transporte irregular no estado, que tem gerado conflitos entre motoristas de aplicativos, taxistas e transportes alternativos. Em Caruaru, a situação é agravada pela falta de regulamentação específica para o transporte complementar, o que deixa os trabalhadores em uma zona cinzenta jurídica.
O governo estadual, por meio da Arpe, defende que a fiscalização é necessária para garantir a segurança dos passageiros e a ordem no sistema de transporte. Já os motoristas alternativos argumentam que a medida é seletiva e que o poder público não oferece alternativas viáveis para que eles possam atuar dentro da lei. A prefeitura de Caruaru, por sua vez, afirmou que está aberta ao diálogo, mas que não pode se sobrepor às determinações judiciais.
O protesto desta quarta-feira é o mais recente de uma série de manifestações que vêm ocorrendo em cidades do interior de Pernambuco, como Garanhuns e Petrolina, onde motoristas de transporte alternativo também enfrentam pressão judicial e fiscalizações rigorosas. A categoria promete novas mobilizações caso não haja avanço nas negociações com as autoridades.
Até o fechamento desta reportagem, não havia informações sobre prisões ou feridos durante o protesto. A Polícia Rodoviária Estadual informou que o trânsito foi normalizado no local e que as investigações sobre possíveis infrações durante o bloqueio seguem em andamento.
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