A construção de um prédio de luxo à beira-mar, na praia de Guaxuma, em Maceió, bloqueou a vista do mar para quem trafega pela Rota do Mar, via inaugurada em abril de 2022 com quase seis quilômetros de extensão que liga o Litoral Norte ao bairro do Benedito Bentes. O caso ganhou repercussão após a publicação de um vídeo nas redes sociais, que mostra o antes e depois do cartão-postal da orla, gerando revolta entre moradores e internautas.
O empreendimento responsável pelo bloqueio é o Píer Norte, ainda em construção, que terá duas torres com um total de 60 apartamentos. Segundo informações disponíveis no site da Engenharia de Materiais (Engemat), empresa responsável pela obra, os imóveis custam entre R$ 1,4 milhão (unidades mais simples) e R$ 3,4 milhões (coberturas), com data base em novembro de 2022. Em outro documento do site, a empresa divulga apartamentos “tipo” e “master” com valores de R$ 3,5 milhões e R$ 3,8 milhões, respectivamente, com data base em fevereiro de 2026.
Repercussão e críticas nas redes
Nos comentários da publicação, diversos internautas criticaram a construção do edifício. “Triste mesmo! Privatizam tudo”, escreveu um usuário. Outra pessoa comentou: “Revoltante. Vejo que a natureza não tem valor nenhum para quem projetou, para quem autorizou e para quem comprou ou vai comprar”. As manifestações refletem um sentimento de perda de acesso visual ao mar, um bem público, em favor de um empreendimento privado de alto padrão.
Licenciamento e posição dos órgãos
O g1 procurou a Prefeitura de Maceió, o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) e a Engemat para saber se o empreendimento possui as licenças necessárias e se está em conformidade com o Plano Diretor da cidade. Até a publicação desta reportagem, apenas a Prefeitura se manifestou. Segundo o Instituto de Pesquisa, Planejamento e Licenciamento Urbano e Ambiental de Maceió (IPLAM), a construção possui licenciamento regular concedido em conformidade com a legislação urbanística e edilícia vigente, tendo cumprido todas as exigências legais e técnicas aplicáveis. O IMA, por sua vez, informou que está apurando a situação. A Engemat não respondeu até o fechamento desta edição.
O caso reacende o debate sobre o modelo de ocupação da orla de Maceió, que nos últimos anos tem visto uma verticalização acelerada, muitas vezes em áreas de grande sensibilidade paisagística e ambiental. Enquanto a Prefeitura defende a legalidade do licenciamento, críticos apontam que a perda de vistas panorâmicas e o impacto na paisagem urbana não são devidamente considerados nos processos de aprovação. A situação também levanta questionamentos sobre a efetividade do Plano Diretor e a necessidade de maior participação popular nas decisões que afetam o patrimônio coletivo da cidade.
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