O número de mortos pelo duplo terremoto na Venezuela subiu para 3.535, segundo balanço divulgado nesta segunda-feira (6) pelas autoridades do país. A tragédia deixou ainda 16.740 pessoas feridas e 17.854 desabrigadas, em meio a uma crise humanitária que sobrecarrega necrotérios, hospitais e cemitérios. Os dois potentes tremores, com magnitudes 7,2 e 7,5, provocaram o desabamento de prédios em Caracas e devastaram o estado vizinho de La Guaira, onde moradores ainda tentam recuperar os corpos de seus entes queridos soterrados sob os escombros.
No domingo (5), mais de 150 corpos sem identificação foram enterrados em uma longa fileira de valas individuais no cemitério La Esperanza, em Catia La Mar, La Guaira. Segundo o balanço oficial divulgado no domingo, os terremotos já haviam provocado a morte de pelo menos 3.342 pessoas, com 16.740 feridos. Um grupo de homens trabalhou com máquinas retroescavadeiras para abrir valas em uma área afastada de terra seca. Eli Zavala, morador do local, contou à AFP que no dia seguinte aos tremores começaram a abrir as covas “para que todas essas pessoas tivessem sepulturas dignas”. Os locais dos enterros “estão numerados por parcelas e também pelo código” definido para que os corpos não identificados sejam localizados por seus familiares. As autoridades também tiraram fotos de cada um dos cadáveres antes do sepultamento. Os retângulos são delimitados por pedras brancas, com um pequeno buquê de flores ao pé de uma austera cruz branca e uma placa com a inscrição “Identificação especial” e a data do falecimento, 24 de junho de 2026.
Panorama político e social
A magnitude da tragédia sobrecarregou a capacidade dos necrotérios e dos hospitais. Um depósito improvisado para armazenar os corpos foi habilitado esta semana nos armazéns do porto de La Guaira. Neste 5 de julho, os venezuelanos comemoram a data de sua independência em meio à tragédia. Em um ato realizado com a bandeira da Venezuela hasteada a meio mastro, a presidente interina Delcy Rodríguez descartou uma convulsão social frente às reclamações dos afetados. “Não haverá convulsão social, aqui o que existe é a solidariedade social profunda do nosso povo”, disse Rodríguez, que assumiu o poder depois da captura de Nicolás Maduro, no começo do ano, em uma operação realizada pelos Estados Unidos. Na região devastada, muitos moradores expressaram à AFP sua indignação pela atuação das autoridades. Neste domingo, a população foi a missas fúnebres em todas as igrejas do país e em vários locais está previsto o acendimento de velas esta noite. Em La Guaira, os moradores seguem tentando recuperar os corpos de seus entes queridos em meio aos escombros em condições cada vez mais difíceis. “Isto é horrível (…), mas não me mexo daqui porque sei que está aí. Encontrei sua moto, encontrei seu capacete, ele está aí, Deus queira que com vida”, relatou um morador à AFP.
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